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Jul 08

 

    (cruzeiro seixas)

 
No mando da voz que é minha
Com o pensamento que avinha
Dito bem alto o meu lema
Sai de mim, lento e solto
E num ímpeto revolto
Explodem palavras lavadas
De virtudes dizimadas
 
Demora o grito da injustiça
Que em nosso âmago atiça
A fúria da impotência
Fortalece quem lidera
E cegamente se apodera
Das vísceras como os abutres
Com as palmas dos ilustres
 
Os olhos não têm que ver
A boca não tem que comer
É mais além o caminho
Os olhos têm que arrebatar
A boca não tem que calar
Falsos sábios não vamos ouvir
A máscara hipócrita tem que cair.
 
Futuro acorrentado e suspenso
Neste emaranhado tão denso
Um País que é meu e não quero
Tortura a alma da gente
Ver um povo de sangue quente
Quieto, descrente, entorpecido
Num tempo que se quer resistido
 
Lamúrias não remedeiam
E a inércia premeiam
Mordaz não basta ser
Levantemo-nos deste chão
Saibamos que uma só mão
Erguida num braço forte
Muda a vida, muda a sorte!
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:32

Também eu grito "A fúria da impotência"... Eles estão a calar este país de verdade. E dói constatar o desprezo com que nos olham lá do seu alto império. Apetece "pegar na trouxa e zarpar". Apetece gritar raivas e azedumes. O país chora em silêncio... Acredito, que um dia, eles vão ouvir...

Gritei contigo. Obrigada.
Paola a 28 de Julho de 2008 às 16:22

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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