(alvaro cunhal)
Chão do meu chão
Chão de ter e que partilho
De venturas e abnegação
E que determinada, trilho
Chão vestido de ternura
Doce amalgama florida
Que transportas pura
As asas da minha vida
Nas tuas mãos, amargura
Sou chão de riachos pungentes
Socalcos de pedra dura
Cândidas, descendo correntes
Meu chão de sustento
Que brotando o meu pão
Elevas no teu lamento
Nas minhas mãos o perdão
És chão quando me amparas
No desalinho dos meus passos
Quando na escuridão me agarras
Volto a encontrar os meus laços
Venda-me os olhos que eu caminho
Chão de forja feito aço
Confio com alento e carinho
Quando sinto o teu abraço
Ausenda Hilário