25
Jul 09

Nasceu sorriso                                                                   
E voou de mim
Devaneou no luar de um lugar
Com adornos de escol e cetim
 
Atreveu-se o sorriso
Em trilho de pedras mágicas
Orvalhou um ninho de passarinho
Fez-se vento de mel
Estatelou-se de carinho
Nas fuças avaras e trágicas
 
Sorriu devagarinho, quase pranto
No salitre da tristeza
Sentindo nua a mesa
 
E quando a noite já sem razão
Vestia a fome de espanto
Sorriu de novo devagarinho
Nas bocas meninas, sem pão
 
Pudesse o sorriso mudar um rosto
Caiar todas as íris da cor Agosto
Tão singelamente podia
Ser feliz…
 
e porque...
o sol se enfeita de aurora
E soletra amor com o rio
Deixei meu sorriso agora
Correr como riacho vadio!
 
 
(imagem: fiat lux)

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:46

O homem bebe o céu azul.
Na terra negra afunda sombras
e
aguarda a alvura dos lírios.


Disseram-me que o arco-íris se pintava de sete-cores. Sempre pela mesma ordem: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Também lhe chamam o arco-da-velha. Noutras falas, é o arco-no-céu, o arco-da-chuva, o arco-relâmpago e mais não sei. Sempre lhe chamei o arco-das-cores. Quando o sol se mostra por detrás da cortina da chuva, corro a espreitar o céu. E ainda hoje, quando o arco se mostra, o deslumbre me fica no sorriso dos olhos. Antes que a magia desapareça, cerro as pálpebras com força, a restaurar a minha reserva de cores. Até voltar a encontrá-lo, vou pintando o mundo a meu jeito. Do negro não quero saber. Teimo em louvar o branco.


Licínia Quitério
Belo poema o seu.
Beijo
tossan a 31 de Julho de 2009 às 00:18

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
Partilha em co-autoria