13
Jun 09

                                           (Joana Lopes)

 

 

Subleva-te verso perseguido
Despreza quem te escraviza na saudade
No fundo da tua palavra árida
São as estrofes, alento
Ungidas susurradamente
Nas rimas que te dão guarida
 
Tempo tão breve de poema
Longínquo tumulto do verso
Amansado na boca que teima
Em cuspi-lo de amor
Num beijo de fogo perverso
 
E a saudade nele, fora mulher
Debruçada no seu corpo
Verso completo mas sem trilho
Confundido nas carícias
Do poema que quer
Com ele fazer um filho
 
O poema se fez na noite certeza
E de todas as ausências
As quimeras foram a subtileza
Dos teus dedos rasgando versos!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:09

os desafios que lançamos …
os amores que não escolhemos…
os sonhos que alcançamos…
os corpos que não temos….

que é tudo isso para que em nós seja tanto?
interligações que o tempo e o espaço irá quebrar…
e ali ficaremos naquele maior espanto,
que é ver surgir e morrer do nada um muito amar!

nada nos diz que amanhã ainda seremos nós!
mesmo quando só deixamos desaguar –nos o que perdura…
fatalmente
desaprenderemos os segredos com que atamos todos os nós;
e para nos atormentar,
ficar-nos-á somente a memória da ternura.

aí, o que faremos com o que nos ficar nas mãos?
olharemos para o lado e renegaremos aqueles que já fomos?
mas as marcas dos nossos passos ficam impressas em tantos chãos…
constantemente lembrando-nos o passado,
para que não nos percamos naquilo que somos.

vamos deixar-nos então, naufragar na sensibilidade!
as pétalas, flutuando nas águas, agitam-se no ventre da delicadeza…
ver-nos-emos sempre arredados da maior idade,
e o sonho acabado ser-nos-á sempre a maior certeza.

tão breve é o poema… mais breve é a juventude!
depois de na vida passar-mos à outra metade,
pela frente só somos senhores de um terço da maior virtude.

que a outra parte se fica no delicado traço
com que se desenham os sonhos de um tempo sem idade
e se faz mais intenso o abraço
por sentirmos a ausência roubar-nos toda a possibilidade

tudo se resume à magia da palavra e à confusão da forma do verso
e aqui estou eu a falar contigo e parece que é comigo que converso

mas o tempo não está para carpir mágoas,
porque há muito que a tempestade assola o meu “país”!
ainda antes de a flor cair às águas
etéreos traços de um lápis me desenhara o sentido a giz .

é a giz que se desenha o sonho,
porque tem como destino o desvanecer-se.
nele reside toda a vã esperança que na vida ponho,
pois sou um homem que ainda tem de conhecer-se …



leal Maria




Desafiei-te para um poema e a tua mestria para tecer ideias e sentidos com palavras não te desmereceu!
Manifestei curiosidade pela ilustração que escolherias e não me deste ouvidos. Ao invés, resolveste responder-me com outro poema: acrílico que a sensibilidade da bela Joana na tela criou …
E a flor caiu às águas e levantou tempestades!
leal maria a 14 de Junho de 2009 às 01:04

Leal Maria

Deixa que as pétalas percorram os rios, deixa desenraizar os espinhos da terra, deixa-te naturalmente pulsar!

É bom conversar assim...contigo!

Obrigada!


"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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