13
Jun 09

                                           (Joana Lopes)

 

 

Subleva-te verso perseguido
Despreza quem te escraviza na saudade
No fundo da tua palavra árida
São as estrofes, alento
Ungidas susurradamente
Nas rimas que te dão guarida
 
Tempo tão breve de poema
Longínquo tumulto do verso
Amansado na boca que teima
Em cuspi-lo de amor
Num beijo de fogo perverso
 
E a saudade nele, fora mulher
Debruçada no seu corpo
Verso completo mas sem trilho
Confundido nas carícias
Do poema que quer
Com ele fazer um filho
 
O poema se fez na noite certeza
E de todas as ausências
As quimeras foram a subtileza
Dos teus dedos rasgando versos!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:09

O poema do poema... és tu neste poema.
Os teus versos - o teu corpo - sussurram desprezo a quem deu desprezo...
Poema tãio breve, amor tão breve ,foi o do verso tão breve... desprezado, no entanto, verso completo, pleno, dado, mas sem trilho, querendo fazer filho...
Linguagem directa, mensagemn fulcral do poema, porque sinal de dádiva com sentido, mas sem trilho..
Amor sem filho, como? Se o poema sobre o poema sem filho é filho-poema?
Filho, fruto, saído da dor, chama em flor, o teu corpo se eleva, e é cacto florido sobre as dunas, onde, debaixo do sol, te podes expor um dia a novas ondulações do amor...
Um beijo do À Beira de Água

Eduardo Aleixo a 15 de Junho de 2009 às 00:06

Eduardo

Linda a tua prosa, mais que poética!
Agrada-me ser cacto florido sobre as dunas, perto do mar...sempre!

Beijinho

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.


"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
Partilha em co-autoria