16
Mai 09

 

 

Digo da terra meu mondado manto
Acalentado no seio dela
Nas pedras maceradas de espanto
Trago nos pés
Um pedaço dela
 
Coram minhas mãos insolentes
Quando minto ao sol
Para a trazer no regaço
Nos dias em que um rio me faz
 
Sou de um mar
Que assoberba a campina de azul
E do rio que se afoita
Na folha de um poema desaguado
 
E da terra adubada de água bravia,
São as minhas entranhas
O musgo das palavras
 
 
(imagem: Elisabete d`Silva)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:48

Eu já tinha dito que os teus poemas teem cheiro!

Adorei, foi bom vir aqui!

Boa noite

Bjinhos

Céci
Anónimo a 18 de Maio de 2009 às 23:58

Ceci

Disseste que tinham cheiro, mas não disseste a quê?

Este tem cheiro de....musgo, só pode ser, verdade?

Beijinho, querida

Ausenda,

Só te digo uma coisa, a minha comadre Maria da Fonte vai adorar este poema! Que espanto é o teu versejar!!!
E que sensibilidade!... Será mais um poema a pedir emprestado. Lindíssimo! Vou mandar o endereço do teu blogue a um amigo que canta poesia. Fui hoje assistir a um recital dele, no Museu Cupertino de Miranda. Depois verás, se conseguir 'descodificar' o filmezinho que fiz de um dos poemas cantados.

Um beijo com amizade (e muito respeitinho, como diria a minha comadre, de sachola a ombro!)
Lucy

Lucy a 19 de Maio de 2009 às 02:07

Lucy

A tua comadre Maria da Fonte é acima de tudo muito generosa, eu sei que ela gosta de poesia, talvez goste deste.
Já sabes que podes levá-lo, e dar-lhe o caminho que entenderes, mais agora com aquele soberbo teatro como pano de fundo, é uma honra para mim.
Tou curiosa para ver o resultado dessa saida ao Cupertino de Miranda! Aguardo!

Beijinho

*
o musgo do mar
de espuma afoitada
é onda bravia
virada a sul
imensidão azul
terra poesia
campina espantada
com o teu olhar.
,
adubadas conchinhas,
,
*
poetaeusou a 19 de Maio de 2009 às 14:20

PoetaEuSou

E o meu espanto
quando te afoitas
nesse mar
que é o meu
sul...!

Beijinhos

Olá Ausenda!

Poetisa de ar, sol, lua, mar e terra
com palavras de musgo faz um canto
excelsa beleza que sempre encerra
esta poesia pela qual eu me encanto

Que mais posso esperar de ti? Poesia com Pinta-Roxos? Sublime. Vou levar para a minha galeria de favoritos.
Beijo grande.
manu a 19 de Maio de 2009 às 20:37

Manu

A minha comoção pelo teu verso! Obrigada! às vezes deixas-me muda, não sei se é bom , ou mau sinal!

Olha com essa dos Pinta-Roxos, estás a dar-me ideias...!

Beijo maior


Comungo as entranhas

das tuas palavras

Bjs

MAR ARAVEL a 19 de Maio de 2009 às 22:22

Eufrázio

Ainda bem que assim é!

Obrigada

Beijo

Neste poema, «Intimidades», de novo se mostra, de corpo e alma, como terra e água, que a habitam, que fazem parte de si, como que a subverter o natural estabelecimento das coisas. E até as palavras são de terra e água, de musguentas que são. Tudo em si, alma e corpo, isto é, terra e água, e palavras, isto é, musgo falante, induzindo e produzindo poesia, que é a tão sensível e tão bela e tão profunda arte que lhe embebe docemente, ainda que também por vezes sofredoramente, o âmago e que depois se evola, como invisível líquido, para o exterior para se dar a quem dela deseje beber.
Singulares e profundos poemas os seus!
Um abraço amistoso.

Mírtilo
Mírtilo MR a 20 de Maio de 2009 às 17:29

Mírtilo

Que grande capcidade de leitura e análise daquilo que lê. Agradou-me de sobremaneira o que aqui escreveu a meu respeito, salvo a minha imodéstia...revejo-me um pouco no seu comentário!
Obrigada!

Um abraço de amizade

Hoje venho muito atrasada, estive ausente, mas sempre contigo, também em pensamento.

Ninguém resiste á tua voz
Ao teu rasgar os trilhos
Mesmo ao longe, chamas por nós
Porque és estrela de muitos brilhos!

Andam teus cabelos ao vento
Numa campina de trigo dourado
És filha da Terra e o teu pensamento
Também navega, no teu mar amado!

Trovejas poesia de Amor
E na Terra que te viu nascer
És musgozinho onde habita uma flor
Que a todos nós, tráz a sede de te beber!


Um beijinho, grande, grande
Vou levar-te comigo
rosafogo a 20 de Maio de 2009 às 17:44

Rosa Fogo

Atrasada, amiga? Estiveste onde tinhas que estar... e também sempre comigo!

Sou de ti, campo de gratidão
Sempre que te sinto a minha fonte
Teus versos são para mim emoção
Gravada no âmago do meu horizonte!

O meu maior carinho e respeito por aquilo que tu, tão bem escreves!

beijinho

Sou de um mar
Que assoberba a campina de azul
E do rio que se afoita
Na folha de um poema desaguado


Esta imagem poética é muito eloquente... ao mar, ao sul...

Um abraço, Ausenda
Meg a 20 de Maio de 2009 às 18:28

Meg

Obrigada! Sim, do sul...!

beijinho

'são as minhas entranhas, o musgo das palavras'
... também e não só! Entregas-te, Ausenda!
Um beijinho
Lúcia a 21 de Maio de 2009 às 10:55

Lucia

Sem entrega não faz sentido, não é?

Beijinho

Do musgo das palavras
fizeste o poema...
Poema que foi rio e margens
e sonho...
de se entregar exausto
nos braços do mar!


BjO"s
A.S a 22 de Maio de 2009 às 15:23

A.S

Obrigada, uma leitura poeética que gostei...!

Beijo

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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