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Jan 09

                                                                 

 
 
Sei que vais e porque tanto teimas
Sei de um ferino passado que te rói
Sensato vulcão onde te queimas
Apaziguado na lava que te constrói
 
Não sintas o acre da escuridão
Que impávida, numa cegueira cruel
Engole a revolta mordendo solidão
Ignorando que do fel se faz mel
 
Esgares de corpos perdidos, mas tu não!
Das lascas e das puas da surdez
Far-se-ão bandeiras na tua renhida mão
E assim, acordarás os sonhos…talvez!
 
Vai! Vai sempre em passo absorto
Como se marcha de parada fosse
Leva-me! Leva outro e mais outro
A firmeza, de nós apoderou-se
 
Agora não és tu, és multidão
Avalanche de luta, massa desperta
Raiando no polir da razão
Fazendo de nós, âmago num sibilar de alerta!
 
publicado por Utopia das Palavras às 19:17

Gosto muito de te ler, mesmo que não saiba como comentar, gosto sempre. Escreves bem. Sou muito sensível à tua sensibilidade. Este poema é forte. Se fosse em outra época dos meus passos embebidos de multidão, sim, diria coisas espantosas. Mas fiquei cansado do mel da multidão. Agora só me interessa a minha revolução. Que não passa pela multidão.Aliás o teu poema concorda comigo quando lhe foge a boca ( a tua boca? )para a verdade: « agora não és tu, és multidão...» .
Beijinho.
Eduardo
Eduardo Aleixo a 3 de Fevereiro de 2009 às 16:32

Eduardo

Eu é que não sei como responder aos teus comentários. São tuas as palavras de força e de tão grande sensibilidade. Gosto de te ler também e na tua revolução tem forçosamente multidão, mesmo que revolução solitária pelo cansaço de tempos idos, os teus olhos, as tuas mãos, o teu corpo embora só teus, caminham sempre ao lado de uma qualquer multidão.
Os nossos interesses nunca são individualistas, a familia, a amizade, a poesia, a cultura em geral convergem sempre...numa multidão!

Beijos, amigo


O que escreveste é verdadeiro.
Só e sempre acompanhado.
Beijinhos de sal.
Eduardo
Eduardo Aleixo a 4 de Fevereiro de 2009 às 12:38

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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