09
Mai 09

 

 
 
Deixem-me amar o mar
Comer as algas, expurgar a lama
Deixem que o mar me ame
E me aclame sobrevivente
 
Deixem que a pele se queime
Na lonjura do sol e da saudade
Renascendo asa de coral
E o meu abrigo
 
Deixem que a boca cuspa
Lodos de preconceito
E que o meu leito
Seja terra espargida de causa
 
Deixem que as mãos naufraguem
No rosto de luz das marés
Abram de espuma as estrelas
E deixem chorar o mar
 
Deixem que nada ou as ondas
Se alastrem no meu peito
E que o meu corpo…
Seja sempre esse mar salgado!
 
(imagem:internet)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:55

02
Mai 09

                                                         

                                                                     

 
Pétalas volúpia que acetinam
O brilho que dos meus olhos sai
São luzeiros que me iluminam
Eterno, terno amor que não se esvai
 
Num corpo de tempos maduros
Sossegos de afectos carminam
Cúmplices de instantes tão puros
Pétalas volúpia que acetinam
 
Nácares de paz cristalinas
Conchas que o meu mar atrai
Deram-me de pequeninas
O brilho que dos meus olhos sai
 
No meu ventre se fizeram vida
As asas que a voar me ensinam
Jamais me sentirei perdida
São luzeiros que me iluminam
 
Nascentes de lágrima que seguro
No gérmen que da terra sai
Sementeiras onde me aventuro
Eterno, terno amor que não se esvai
 
 
(imagem: maternidade-pablo picasso)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:40

23
Abr 09

 

Porque Abril
são os passos que me levaram
 
Porque Abril
ainda é mar por navegar
 
Porque Abril
é a razão das mãos gritadas
a razão das bocas alvoradas
 
Porque Abril
é tanto dos poetas
 
Abril será sempre...
a minha cor de Maio!
publicado por Utopia das Palavras às 10:16

18
Abr 09

 

 

Tantos caminhos no peito
Quantos molhos de esperança
Um trilho ousado e feito
Do galope da confiança
 
Há um fio de rio nessa almargem
Como poema parido nas águas
Pastorícia minha verde coragem
Num passo amante sem mágoas
 
Ainda os brados que não calo
Se caio ferida de pedra malvada
Ravinas de saudade, onde resvalo
Soltando o que em mim é espada
 
Descubro bolbos de amor escondidos
Nos sulcos do rosmaninho
Silêncios de rumos perdidos
Ímpetos de semear um caminho
 
Sábio o amor que a poesia escuta
Nas veias de um verso aberto
Onde constante lateja a luta
De sonhar o caminho certo!
 
Imagem: Antonio Matos Ferreira

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:37

11
Abr 09

 

 

Aquietei a madrugada
Que se dizia fria
Sentida da noite gelada
Na ânsia do novo dia
 
Afastei o pensamento
Tolhido pelo desamor
Colori o firmamento
Desbotado da sua cor
 
Aplaquei o pecado
Que queria ser capital
Gostei dele ao meu lado
Não me arrependo de tal
 
Amenizei a desventura
De um sonho aniquilado
Hoje o sonho perdura
Não tem medo de ser sonhado
 
Persisti com a firmeza
Da vida fazer melodia
No espanto da sua beleza
Faço a minha sinfonia...!
publicado por Utopia das Palavras às 20:02

04
Abr 09

 

Preciso no mundo, de outro olhar!
De contendas de flores e de amor
De sorrisos sinceros com vista para o mar
Preciso de concórdia, de ti e de cor
 
Sentir as folhas perenes caídas
Renascerem gotículas sentidas
Das lágrimas do sal da verdade
Florando vidas nos pés da liberdade
 
Preciso da força que inventa os braços
Míngua das angústias e cansaços
E no meu corpo rasgado de alento
Entregar-me em flama nas mãos do vento
 
Assim, a minha voz rouca de luta
Calar-se-á por permuta
De um crepúsculo luzidio
Que emproa o navegar dos meus olhos navio!
 
 
imagem: Salvador Dali

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:52

28
Mar 09

 (Chagall)

 
 
Pujante de desvelos me escora
Presente bem-querer e o aço
Refúgio do pânico quando aflora
Pilar das loucuras que eu faço
 
Alucinados os meus passos de dança
Livres em espelhos d´água
Rodopiam em pontas de lança
Fundeando no teu cais, sinto-me frágua
 
Impregnam-me os sussurros que gritas
Cúmplice poço de segredos
Fiapos do teu olhar basta em horas aflitas
Na placitude são mudos todos os medos
 
Robusta ponte no meu mar sonhador
Quão terno cavaleiro andante
Mil anos serás, eterno poema de amor
E eu sempre... teu pássaro viajante!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:18

21
Mar 09

 

Não sei quantos são
Mas sinto os seus passos
Talvez um milhão
Talvez mil abraços
 
E andorinhas? E punhos fechados?
São tantos, lactente emoção
De pátria amor, hinos entoados
Estrelas de pontas se ouvirão
 
Sois ardentes, vontades em riste
Olhos raiados a lume de mudança
De justo o lema persiste
Desenhando no céu confiança
 
São muitos
Não sei quantos são
Descerrarão os mitos
Talvez um milhão!
 
 
 
 
Este poema foi resultado do desafio do blog Amador do Verso amadordoverso.blogs.sapo.pt, que me convidou a escrever sobre “Confiança”

 

 

Grata! Manu, a tua gentileza não tem fim...!

publicado por Utopia das Palavras às 16:48

14
Mar 09

  

Incessante caminhada
Pisada árdua das pedras
Contido amor como enseada
Busca de doce em bagas azedas
 
Sempre indo, sempre chegando
Para além do fio do horizonte
Onde os lírios nascem sonhando
A água de sede da tua fonte
 
Mesmo que eu fique maré vazia
Seca de espuma ou ecos de nada
Crescerá o anelo e a fantasia
De ser onda do mar enamorada
 
E se um dia me perder
No ego austero do nevoeiro
Não por não te querer
Sim por me querer a mim…primeiro!
 
(foto: matisse)
publicado por Utopia das Palavras às 20:40

07
Mar 09

(pierre.ives trémois)

 

Debaixo da tua asa
o vento não me descobre
O teu beijo é a minha casa
Rainha sou, em ti águia nobre
 
Venham temporais e pecados
Amargos venenos de serpente
És antídoto reinventado
Nas veias correndo, serenamente
 
Escarpas ou desfiladeiros
Tingimo-los com o luar do mar
Nossos sonhos são pioneiros
Quando o sol os acordar
 
Mesmo que agreste o rochedo
Fira as penas do meu voar
Na tua asa o meu medo
Esmorece, ante o chegar
 
A minha sombra gémea
Das tuas íris de água rasas
Corpo varonil onde sou fêmea
Cumplicidades…são asas!
 
 
=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:==:=:=:=:=:=
CARINHOS: 
Obrigada Xana pelo teu carinho ratalhos-xana.blogspot.com
agradeço o prémio Dardos que nao sei porquê não o consigo colocar.
Grata também pelo Selo Mulher 2009, muito me honrou!
 
Agradeço à  Ana Martins, do blog Ave Sem Asas, avesemasas.blogspot.com o selo "Amigos Infonautas"!
Grata, amiga!
 
Amigo Emanuel do blog Amador do Verso manulomelino.blogs.sapo.pt, o meu obrigada pela nossa bonita amizade.
publicado por Utopia das Palavras às 20:31

28
Fev 09

 

(mari vilar) 

 
Empresta-me um sonho…simples de sonhar
De cor ausente de dor
Redentor do sorriso e do olhar
Sonho constância multicolor
 
Empresta-me um sonho…de outras madrugadas
Do canto chilreado da liberdade
Dos pequenos nadas
Do cheiro do pão da terra e da vontade
 
Empresta-me um sonho…de poema que desagua
Interlúdio de silêncios estancados
Sonhando versos nascidos na lua
Na boca dos poetas declamados
 
Empresta-me um sonho…flama de encantamento
Onde embale o âmbar da nostalgia
Deslumbre a memória do esquecimento
Para eu poder sonhar um dia
 
Empresta-me um sonho…que me faça correr p´ró mar
Flutuar na carícia de marés singelas
No tempo do vento poder velejar
Fazer um mundo, tocando só nas estrelas
 
Empresta-me um sonho… de amor felino
Rouba-o ao luar, como fruta proibida
Serei dele tocata, ele o meu mais belo hino
Para sonhar…o resto da minha vida!

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:59

21
Fev 09

 
 
 
Apego sou em ti inquietação viril
Lavrando teu colo onde esvoaço
Encostas inundadas de anil
Na paisagem de um rendido abraço
 
Vinha dos sentidos embriagada
Fragrância amante, carmina e cobre
Torrente que em meu fogo corre abastada
Vindima de vida e chama, que me descobre
 
Sirvo-me sobre cálice derramado
Inaudito esse desejo de te sentir
E no vinho rubro por mim inventado
Meus lábios deslizam ávidos de te despir
 
Nasço e renasço nessa colheita
Casto, intrínseco afecto que a sustenta
Doce e etéreo meu beijo que se deita
No teu corpo de uva suculenta.
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 Agradeço-te amigo Carlos Barros irretorquivelpsique.blogspot.com

 

 

 

 

 

 

 

Obrigada pelo carinho, Tossan  klictossan.blogspot.com

publicado por Utopia das Palavras às 18:49

14
Fev 09

van gogh

 

 
Quando o rio corre devagarinho
Namorando com a ternura
Percebo a tua voz baixinho
E leio nos seixos poemas de frescura
 
Doce corrente, tranquilo amor
De um rio amando o estio
Cântico de canavial em flor
Concórdia do rio, irmão do mar bravio
 
És mar de floresta eu margem de clareira
Porque te amo cheia, intensamente
Infligida a tua dor é no meu peito bala certeira
Lançada da mão humana inconsequente
 
São uivos de lobos os teus filhos
Vulcões, desertos, espuma de sol e mares
Cordilheiras são penas e teus pássaros andarilhos
Esmeralda dos ventos glaciares
 
Mater da cor azul e do verde
Tocar-te inteira é delírio que não dura
Tão demente Terra que te perde
Matando sem apelo... pérola natura!

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:14

07
Fev 09

(sumie)

Esperei que com a brisa viesses
Mimar este chão que é nosso
Meu ninho, sem o teu barro emudece
Voar sem tuas asas não posso
 
Fez vento na noite esperança
Branda espera cansando a lua
Onde amanheceu a lembrança
De te esperar tão nua
 
Brisa errante do teu cheiro licor
Meloso meu queixume de ansiedade
E na janela colorida na tua cor
Triste, colei meu verso de saudade
 
Aragem níveo canto da quimera
Meus lençóis chorados entreteceu
E no meu ninho, grávida a Primavera
Estendeu seu manto no lugar que é teu
 
E agora
Nosso ninho de ramos vazio
Espera a tua brisa, noutra hora
Trazendo no bico, grãos de amor, roubados no rio
_______________________________________________________ 
 
 

 

Grata à Céci do blog "Inspiração" letrasepensamentos.blogspot.com/ pelo selo que recebi com todo o carinho. E com o mesmo carinho ofereço a todos os amigos que leêm  "Utopia das Palavras". É VOSSO

publicado por Utopia das Palavras às 19:35

31
Jan 09

                                                                 

 
 
Sei que vais e porque tanto teimas
Sei de um ferino passado que te rói
Sensato vulcão onde te queimas
Apaziguado na lava que te constrói
 
Não sintas o acre da escuridão
Que impávida, numa cegueira cruel
Engole a revolta mordendo solidão
Ignorando que do fel se faz mel
 
Esgares de corpos perdidos, mas tu não!
Das lascas e das puas da surdez
Far-se-ão bandeiras na tua renhida mão
E assim, acordarás os sonhos…talvez!
 
Vai! Vai sempre em passo absorto
Como se marcha de parada fosse
Leva-me! Leva outro e mais outro
A firmeza, de nós apoderou-se
 
Agora não és tu, és multidão
Avalanche de luta, massa desperta
Raiando no polir da razão
Fazendo de nós, âmago num sibilar de alerta!
 
publicado por Utopia das Palavras às 19:17

24
Jan 09

 

 (venus e adonis)

 

És Outono quando te grito

Olimpo no meu sideral encanto
Sou um Inverno aflito
Em Baco bebido de pranto
 
Em ti hiberno em cume de neve
Nas horas que me dou insolente
No templo da luxúria meu suor te escreve
Volúpia de aromas na seda ardente
 
Estendo em brocado no teu chão
Tapetes de pétalas de água e jasmim
Os teus lábios vivos, consentirão
Bálsamos arrojados de mim
 
Hoje elevo-te a um deus
Porque de ti deste, merecimento meu
Da dilecção mais bela que há em Zeus
Dou-te os raios de sol, de Apolo e os céus!
 
 
publicado por Utopia das Palavras às 17:29

17
Jan 09

(silkmom)

                                                                                                          

Traidora batalha sem norte

Desmesuradamente cega
Combate de vazias mãos de entrega
Ferindo longe, mas ferindo forte
 
Hoje quero paz
Deslizar os dedos nos fios
Dos teus cabelos esguios
E extinguir-me na calma que me dás
 
Hoje só quero tréguas
Mesmo sendo guerreira selvagem
Quero repousar da coragem
No imenso prado das éguas
 
Pressentir o medo de feroz luta
Faz cansar a força que se esvai
Lenta e lânguida a espada cai
Negando o sofrer da disputa
 
Que pare o ciclo dos dias na minha mente
Da guerra quero indignar-me
Chamar o mundo e chorar-me
Dar-me à paz incondicionalmente!

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:13

10
Jan 09

 
Hoje quero ser tua, meu amor
Rodopiar até ao sonho e planar
Como as densas e belas asas de açor
Quero ser tua por dentro, sem ter lugar
 
 
Desvirginada deserta a lua
Em orbita de fogo que te trouxe
Rasgando a minha pele quero ser tua
Num bolero arrebatado e doce
 
 
Hoje quero ser tua, meu amor
Inventar um mundo, sei lá! Na praia morrer
Quero beber o soluço do teu sabor
Morrer outra vez …e viver
  
Na dança quero ser tua
Desfalecer depois…
Quero ficar vontade nua
De nós dois…!
 
 
(foto:Jose Bezerra)

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:53

03
Jan 09

(josé bezerra)

 
 
Agreste futuro tempo, matizado
Vão balançar de vento em solidões moído
Sulco nas pedras mirras, gravado
Fantasia dum trilho eternamente doído
 
Nós, ápices do pensamento
Desfeito nos troncos de ilusão
Em tempo que se faz aluimento
Improvável sonho de perfeição
 
E nesse sereno piado das aves
Qual espasmo da terra que treme
Premente erguer de enlaces e traves
E da vontade fazer destro leme
 
Tempo agreste com cheiro de flores
Laivos oásicos nos fios da poesia
Veias que pulsam sangue de adivinhas cores
Recrudescimento de antiga utopia!

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:55

27
Dez 08

 

 
 
Ano de anis
Frutuoso
Sonho petiz
Chegando novo
 
Quero-te banhado
De esperanças viris
Justo e honrado
Sonhando eu quis
 
Venho pedir
Não sejas um fado
Faz-te porvir
Salário igualado
 
Vende a saudade
Do teu passado
Inventa vontade
De um passo renovado
 
Dá-nos certeza
Enterra a maldade
Pinta a pobreza
De cor dignidade
 
Quero ser mais feliz
Também este povo
Faz o País
Viver ano novo!

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:48

20
Dez 08

 

Natal menino
 
Tão pequenino
 
 
Natal sem verso
 
Num dia tão breve
 
De sentido inverso
 
E as mãos vazias…
 
De sonhos perdidos
 
Reclamam os dias
 
Do fim dos desvalidos
 
Natal menino
 
No ano esquecido
 
Natal pequenino
 
De caridade crescido
 
Perpétuo Natal
 
No momento de dar
 
Tão breve o Natal
 
Do tempo de amar…!”

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:58

17
Dez 08

 

 (paula lucas)
 
Riscaste no pranto das flores
Pingos de culpa e sofrimento
Inventaste ecos e desamores
Incrédulos meus olhos no firmamento
 
Tocadas, as pétalas choram
Descoloram brilhos e chuvas
Minguaste ternuras que delas foram
Ímpetos de vindimas e uvas
 
E agora o meu encanto maior?
Trucidado na raiva dos teus dedos
Tingiu os meus versos de dor
Resguardo dos nossos segredos

 

publicado por Utopia das Palavras às 11:08

13
Dez 08

(antonio jorge miranda)

 
 
 
Pouco importa se alucinação sou
Prelúdio, compasso ou serenata
Fenix que sempre voou
Ou corpo de barro em esfinge de lata
 
Que importa se magnânime o alvorecer
Se réstia for a videira decepada
E não for acácia em tempo de sorver
O sumo da terra encharcada
 
 
Que importa se estrondosa a orquestra
Se os violinos roucos e prostrados
Não renascem nos trinados da giesta
E na saudade… são longos murmúrios calados
 
Que importa, se loba, lua amante ou grainha
Na entrega, presságio de estrelecer sou
Redentor milagre no meu desejo de Aladina
Que importa…! Importa que vou!

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:38

09
Dez 08

     

                    (antonio jorge miranda)

 

Mareando a vida me leva
Nas ondas de um mar sueste
Mar devir, murmurando me enleva
Num vento soprado e agreste
 
Mareando nesse mar refúgio
É meu medo o naufragar…
Prendo âncora em cada navio
Com audácia me faço ao mar
 
Lodos, lamas e sargaços
Fundas batalhas no emergir
Busco no sal os pedaços
Pequenos cristais do porvir
 
Nesse vaivém ondulante
Sonho de mar chão, para o povo
Farol chama, prenúncio de levante
Na rota de um homem novo
 
Marujas são as vontades
Lanças do marulhar
Expurgo de correntes e grades
Amargo dia, se naufragar…!
 
Mareando aporto num sonho
Breve metáfora de maré viva
Sou eu! Sou eu que ponho
As palavras no mar à deriva!
publicado por Utopia das Palavras às 14:37

03
Dez 08

 

Fecundas palavras na terra atiradas
Esperanças germinando em hora parida
Onde rebentam sílabas amuralhadas
por exorcizada, estrofe proibida
 
 
(Ruan Corvalán)
Deixem-me soltar o sufocante eu
Que me esmaga como pedra caída
Afunda de alma vã, desamparo meu
E me possui íntegra de raiva acometida
 
 
Quero clamar o mais alto da revolta
Que me consome o ventre não rendido
Dos restos dos meus dedos em mão solta
Marco-te poema, em ferro bramido
 
  
Se me dilacera o Entrudo da mentira
E a vingança mungida na falsidade
Nasce de mim, indígena tinta que delira
Alucinando, estravazo liberdade!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:00

28
Nov 08

 
(Fernando Baleiras)
Espasmos de anseio que auguro
Donde longínquo mora teu espanto
Vem buscar-me! Só, carrego tanto
A pressa de te dar o meu encanto
 
Arredio instante de alva promessa
Migando a noite aluada de espera
Resguardo de mim a seiva que te teça
Ocaso que me funde na tua quimera
 
Aporto, chegando repentina
Para sentir o gosto da tua boca a roçar
Em recantos lívidos de desvario
Na perversa vontade de te tocar
 
E eu assim dormente de te ter
Arrasto-te na fímbria do meu prazer
E no madrugar de êxtase premente
Se entrosa o impulso do suceder
 
Sublimação…!
No ocre do tempo em penumbra
Desejo austero que quero meigo
Como mar paixão, que ante me deslumbra!
  

 

publicado por Utopia das Palavras às 10:05

23
Nov 08

                                                                                           

Saberei eu definir o sabor do azul?
Saberei ler os meus próprios olhos
Quando inundados...
Agitam luas de todos os sentidos?
 
 
Saberei eu um dia ler na raiz
Da frondosa árvore e da sua seiva
Inventar enigmas de mel?
 
 
Certa que descobrirei no luto                        (joan miró)
Das riscadas asas dos pássaros
Amputadas pelo vendaval dos ninhos
 
 
E saberei olhar-te com ancestral avidez                          
Trespassar-te com eróticos compassos
Do ondular do meu corpo
E delirando, saberei chegar-te!
 
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:29

18
Nov 08

 

Nesse imenso mar índigo e chama
Fogueado em grãos de ouro e prata
Em espraiadas maresias, meiga cama
Onde eu adormecia pacata
 
Efémera foi a paz, onde a tenho?
Recortes de quietude, sonhos lugares
Praias e serros meus, hoje engenho
Vencidos e sós, são os meus mares
 
 
 
Arribas, chorões, silvas e dunas
Massacres de tantas dores
Áureos desertos, mira de fortunas
Parda cegueira de mercadores
 
Rendada serra, alcanço de mar
Conquistando mouros e ilhas
Tantas milhas para acercar
Ostras, medronhos e conquilhas
 
Eu petiza, desafio de montes e marés
E o grito das gaivotas bailando corridinhos
Amávamo-nos, descalça, veludo meus pés
Simbiose de anil, acordeão e ferrinhos
 
Areias de açúcar vizinhos da serrania
Meus promontórios, esconderijos de amor
Onde selvagem uma roseira nascia
Impunes, prosperam cimentos de rancor
 
Nostalgia minha, cruel certeza
Remotos sapais de luas salinas
Minha ria, ai espelho de tristeza
Formosa e bravia, és recreios e marinas
 
E eu? E nós que a amamos singela
Amor de sol, iodo, conchas e figueiras
Indefesos meus olhos, gotas de sal por ela
Buscam sentido no olhar das amendoeiras!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:17

13
Nov 08

(Jose Penincheiro)

Longínquos lugares que amei
Lugares de encanto maior
Húmidos arrozais que caminhei
Em campos a gemer de cor
 
Cultivos outrora riqueza
Tão verde amarelo  trigal
Suculentos pedaços de beleza
Espelhos de colo maternal
 
Ora vejo e não sinto o fulgor
Perenes a palpitarem os campos
Amálgamas em explosão e suor
Com archotes de pirilampos
 
Cheiros aragem campestre
De brisa que sabia a tomilho
Aromas dum olhar silvestre
Saudades do trigo e do milho
 
Esguias papoilas aos molhos
Vermelho e sol em melodia
De corpo frágil os olhos
Negros de fortuna vadia
 
Meus olhos de água ribeiras
Juncos beirando açucenas
Ecos do canto das lavadeiras
Lavando na pedra suas penas
 
Moinhos fingindo ventos
Velas rodando com ânsia
Mós em rodopios de lamentos
Genuína saudade de infância!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:30

09
Nov 08

 

 

 (mark chagall)

Para vocês companheiros
Flores, faluas, beijos guerreiros
Amigos de fronte, de laços e ouvido
Ombros onde me encosto e desfaço
Hesitações e tombos, num abraço
Para vocês…um poema sentido!
 
Se um dia me era dado escolher
Na vida, o que era meu desejo ter
Tesouros, ouro ou diamantes
Essa riqueza eu não queria
Pois desventurada sempre seria
Sem o zelo dos meus infantes
 
Infantes da nau da minha descoberta
Faróis guieiros, se parto incerta
São a fibra que eu preciso
Descolorida a vida seria
Nascer, brilhar, crescer é magia
No alegre bailar do seu sorriso
 
Dos autos que dramatizo
Em marionetas de choro e de riso
São morada certa que me abriga
E pelo que aprendo no livro que são
O meu afecto e feixes de gratidão
E estes versos...de amiga!

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:02

03
Nov 08

 (guayasamin)

 
No vale profundo
Ecoa um grito
Gemido aflito
De gentes do mundo
 
Grito que alivia
A alma oprimida
Das fráguas da vida
Da mente que jazia
 
Grito da terra
Sonhos ambíguos
Em tempos exíguos
De fome e de guerra
 
Grito quão malvado
Da fúria que insiste
E nos homens existe
Em nós sufocado
 
Grito... liberto
De mãos desatadas
Auroras amadas
De escolhas coberto
publicado por Utopia das Palavras às 22:02

30
Out 08

         (valter)
 
Ter fé tão só é, atitude peregrina
Ter fé, é ter causas e saber dar
Tenho uma fé de pequenina
Que o mundo se faz a mudar
 
Ser a vanguarda, é ter fé
Mesmo tombando na estrada
Da serrania encetar o sopé
É ter fé, continuar a jornada
 
Ter fé que a terra nua, lavrada
Germine trigais de esperança
Do meu povo sempre aleada
Tenho fé, na perseverança
 
Ter fé que a traineira abatida
Em breve dia voltará ao mar
Nunca a fé está perdida
Porque há vida para navegar
 
Ter fé, é crer no pulsar
De um povo silencioso, que demora
A agregar vontade e acreditar
Que um dia o sol rubro alvora!

 

publicado por Utopia das Palavras às 15:04

24
Out 08

 (chagall)

 
Que morra nos teus braços
No trajecto dos teus passos
E nos atalhos dessa aventura
Deixa-me sempre encontrar-te
Dando de mim sempre parte
Quero ser razão e bravura
 
Joga os dados da minha vida
Aposta na sorte esgrimida
De todas as pisadas que dou
Faço estátuas de combate
Num esculpir de arrebate
Para descobrir o que sou
 
Que morra por respirar
A firmeza do teu ar
Em tempo ambíguo, hora desfeita
Que me prenda nesse regaço
Que morra por tudo o que faço
No crivo que não me sujeita
 
Nos teus braços libertados
Em arrojos desesperados
Descubro sinais da verdade
Que morra sem sentir medo
Dos cárceres e do degredo
Que morra de liberdade!
 
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 10:20

19
Out 08

(Chagall)

Trago nas mãos uma força alerta
Empunhando uma arma singela
Todos os dias na descoberta
Da vida sou sentinela
 
Da montanha que levo subida
Pelo seu vale sou coberta
Se me perco, peço guarida
Trago nas mãos uma força alerta
 
As pedras fúteis dos trilhos
Se atiradas deixam sequela
Mato, se ferem meus filhos
Empunhando uma arma singela
 
Se a poesia da vida é rima
Nos seus versos ela desperta
Sem intuitos que a reprima
Todos os dias na descoberta
 
Escudo que abriga a bravura
Na guarda da cidadela
Arma que a minha mão segura
Da vida sou sentinela

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:39

14
Out 08

 

         (raul perez)

 

Logro de um mundo, onde a verdade implora
E as gotas de água ferida
De cada lágrima de verdade que chora        
Seguem rasteiras de esperança
Para um rio de orgulho que as explora
 
E a água rubra, inquieta de revolta
Que de levada forte e transbordante
Açoita e brava faz levar de volta
As canoas acostumadas a rio manso,
Acomodado a lágrimas de maré solta                        
 
Se galgando as margens sujas de vingança
Revolto, por um acordar sacudido de vento
Adivinhando a tormenta de mudança,
Elevar-se-ia lúcido e são, varrendo o logro  
E correria limpo, com margens de bonança
Ausenda Hilario

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 14:17

09
Out 08

 

 

Rostos de História

De semblantes épicos
Passados de memória
 
Espelhos de platina e ouro
Transparências resgatadas
De um qualquer tesouro
 
Rostos de sulcos vincados
De vida dura
Riachos de água marcados
  
Rostos ditosos de alegorias
Lantejoulas meninas
Luzentes de alegrias
 
Rostos de afagos de miséria
Combatidos de sol agreste
À mingua
 
Rostos displicentes, polémicos
De mentira e retórica
Negociadores anémicos
 
Rostos sem nacionalidade
De beijos e de pele
De distâncias sem idade
 
Rostos de marés e oceanos
De terra, de calos e pão
Fechados de perdas e danos
 
Rostos de mapa difusos
Finos, rudes, desvalidos e abastados
Rostos inclusos!
Ausenda Hilário
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 08:55

23
Set 08

 
 
Perco quando não ouvir o chorar
De quem aflito implora
Tréguas para libertar
Alguém que um outro ignora
 
Perco quando não olhar
Não ver que a cor do céu
Descendo no seu estrelar
Para o mundo inteiro nasceu!
 
Perco quando não sentir
Um coração a pulsar
Pela mágoa de ouvir
Outro coração a chorar
 
Perco quando não sorrir
Quando no meu colo se deita
Mais um dia de porvir
E a minha noite enfeita
 
Perco quando não abraçar
A multidão que se incendeia
E bem alto não levantar
A bandeira que me norteia
 
Perco quando não lutar
Ao lado de tantos mil
Se passiva me deixar calar
Por quem ignora Abril
 
Perco quando na vida
Chorar, abraçar e sentir
Lutar, olhar e sorrir
Não forem essência desmedida.
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 09:53

20
Set 08

 

Meu amigo maior
Pastor dos meus segredos
Contigo partilho o suor
Da exaustão de todos os medos
 
Contigo choro e quando canto
Pulo veredas, silvas e flores
Limpando as lágrimas do meu pranto
És antídoto das minhas dores
 
Tantas feridas já curaste
Mágoas arrancadas do meu peito
Com alegria singela, saltaste
Meu Príncipe de amor-perfeito
 
Caminhamos lado a lado
Teu desabrigo jamais senti
Mas castigas, se magoado
Porque me descuido de ti
 
Ganho asas quando me escutas
Peco, quando não te oiço
São tantas as nossas permutas
Embalas no teu bater de baloiço
 
Dos sonhos que idealizo
Por eles esperas, para depois
Quieto, num silencio indeciso
Vivermos desses sonhos os dois
 
Amas à toa e eu resisto
Vais tão longe que me assusta
Não desistes se eu desisto
Teimoso na tua chama abrupta
 
És a raiz que me sustenta
Meu amigo maior… e primeiro
Quando renuncio quem me alenta?
Tu! Meu coração companheiro!
 Ausenda Hilário
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:30

15
Set 08

Foi com sentir e certeza
Que o nosso coração abriu
Com a tamanha beleza
Que do nosso trabalho floriu
 
Veio também um sol quente
Escondido por detrás do céu
Não desanimou quem arduamente
Prá festa deu tudo que é seu
 
Já era um mar de gente
No ar foguetes em explosão
Molhada mas resistente
Foi a nossa inauguração
 
A noite fez-se sem mágoa
A festa continuou
Esquecida toda água
Que em nossos corpos secou
 
Em cada rosto encontrado
Sorrisos de felicidade
E no coração tatuado
Momentos de pura liberdade
 
Vimos o sonho de um menino
Que do querer constante
Sonhava de pequenino
Tocar na festa do Avante
 
O sonho fez-se realidade
No palco 1º de Maio, tocou
Momento sublime de amizade
Que connosco partilhou
 
Foram tantas, tantas emoções
Nao é facil descrever
Só os nossos corações
Batendo, o podem dizer
 
Tanta arte que não cansa
Do nosso futuro é o inicio
Na festa fomos esperança
Naquele enorme comicio
 
Para quem nos quer destruir
Fica a verdade nua e crua
A força cresce na palavra resistir
A nossa luta continua!!!
 
Ausenda hilário & Miguel Beirão
publicado por Utopia das Palavras às 18:55

11
Set 08

 

Dividi cúmplices sorrisos
Multipliquei tantos abraços
Somei tão bons amigos
Senti a terra molhada
E nela pulei…
Cantei…
Dancei… chorei
Senti chuva de confiança
Molhei-me de esperança
Fui revolucionária e militante
Solidária...
Fui espectadora atenta
Fui criança...
Fui tanto…tanto!
 
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:06

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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