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Out 09

Porque falo dos rios, de amor e dos mares
Se são eles que me inundam?
 
Porque falo da verdade da terra e do vento
Se tudo isso me despe?
 
Porque falo de murmúrios e dos gritos silenciados
Se só o meu corpo é meu eco?
 
 Porque falo de saudade e da solidão aflita
Se antígonos são os meus braços?
 
Porque falo de espinhos, de chagas e das cinzas
Se o meu rasto vocifera a ferida aberta?
 
Porque falo de causas e dos sonhos
Se sós, são as minhas asas impotentes
Nas pedras que me tropeçam os passos
 
Falo…arguo a mudez dos olhos
Delatora me acuso e não calo
Erupta em fogo profícuo
Serei…
Onde todas as palavras me nascem!

(imagem: Luis Ralha)

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

Tua poesia é clara como agua de rocha
tuas palavras nascem em ti como um nascente.
Parabéns pela tua escrita !

Beijos
Lena a 20 de Outubro de 2009 às 22:22


Um poema difícil, denso, polissémico, cativante.Assim a poesia.
IBel a 22 de Outubro de 2009 às 21:56

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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