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Ago 09

 

Sei da espera e do espinho
Do tempo de florir a quimera 
Das raízes paridas da terra
Sei do suor que lavra o caminho
 
Sei tanto do ardor dos olhos
Nas lágrimas que lambem incerteza
E dos rostos que estancam escolhos
Nas canas verdes de dureza
 
Labuta moída dos dias sem féria
E os sonhos sempre rasgados
Pelas mãos de outros sonhos roubados
Miséria…miséria
 
Mais um prego, mais uma semente de nada
E a labuta que não pára
Fere, vence como escára
Fadiga inútil, quão infecunda jornada
 
Grande a sede de olhar os lírios
Na sombra dilecta do anoitecer
Fosse vontade cegar delírios
Fazia gente, de tão pouco, renascer!
 
(imagem: domingos alves)
 
***************************************************
Grata a Alex Campos, pela gentileza do gesto e pela empenho na divulgação dos poetas angolanos!
Obrigada!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:49

Nada fere mais do que a labuta sem féria e vida sem sonhos...Lindo! Beijo
tossan a 12 de Agosto de 2009 às 23:06

Caríssima Ausenda!

Nos "Esteiros", Soeiro escreveu, com rara acutilância e indizivel beleza:

  "...para os filhos dos homens que nunca foram meninos..."


Também o seu poema é uma pérola! E quantos não são os sonhos roubados...
Parabéns!

PC
Paulo César a 14 de Agosto de 2009 às 09:27

mais um grito... vermelho, Ausenda!
que tu, magnifica e sentidamente soltas. E não é ao vento!
Grande abraço
Lúcia a 14 de Agosto de 2009 às 17:13

A tua poesia é como um desabafo, 
uma dor que sangra viva, suor e cansaço.
É a dor da labuta, de gente que luta e que não esmorece
pois mesmo quando vencidos pelas tribulações
quando lhes roubam os sonhos
ainda conseguem vislumbrar um novo alvorecer.




Beijinho pra ti, Utopia
Menina do Rio a 15 de Agosto de 2009 às 04:08


Deixei escapar um sorriso... flutuando nestes sonhos roubados. É mais um reflexo de ti nesta antologia poética.

CONVICTAMENTE - aprecio o sussurro da tua poesia.

Boas férias e até breve.
Lucy
Lucy a 16 de Agosto de 2009 às 17:41

Hoje não venho comentar, venho só matar saudades
da tua cor de Abril.

E deixar-te um beijinho
natalia
rosafogo a 16 de Agosto de 2009 às 22:42

Que posso eu dizer mais, que não tenha já sido dito nos comentários anteriores?. Apenas que me fascina a tua, (sua?), poesia. É belo o poema e inquitante a mensagem, (ou denúncia?).
Um beijo de amizade.
gui a 17 de Agosto de 2009 às 12:52

Olá Amiga Poeta,

Pois é, minha querida tantos sonhos roubados, e a labuta diária de tanta gente que os impede sonhar,  o sonho como diz o poeta comanda a vida, mas nem sempre é fácil.Mas lutar é preciso!

BJinhos

Céci
Céci a 17 de Agosto de 2009 às 14:41

Me parece que já comentei esta edição! Acho que foi no seu outro blog?! Mas de qualquer forma gostei muito! Poesia pura! Beijo
tossan a 18 de Agosto de 2009 às 02:53


 Em todos os apeadeiros

a vida

só de cristal

para amarmos melhor

a liberdade


 
MAR ARAVEL a 18 de Agosto de 2009 às 22:37

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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