17
Out 09

Porque falo dos rios, de amor e dos mares
Se são eles que me inundam?
 
Porque falo da verdade da terra e do vento
Se tudo isso me despe?
 
Porque falo de murmúrios e dos gritos silenciados
Se só o meu corpo é meu eco?
 
 Porque falo de saudade e da solidão aflita
Se antígonos são os meus braços?
 
Porque falo de espinhos, de chagas e das cinzas
Se o meu rasto vocifera a ferida aberta?
 
Porque falo de causas e dos sonhos
Se sós, são as minhas asas impotentes
Nas pedras que me tropeçam os passos
 
Falo…arguo a mudez dos olhos
Delatora me acuso e não calo
Erupta em fogo profícuo
Serei…
Onde todas as palavras me nascem!

(imagem: Luis Ralha)

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

03
Out 09

Breve crepúsculo de amor
Parda a noite…mia
Geme, teme, soluça a dor
Indolente, apazigua o dia
 
Na chuva que a noite derrama
Nega-se a morte ou sonho errante
Audazes estandartes em chama
Inócua do choro inquietante
 
Vagabunda perversa e vadia
Ai poetas perdidos de amores
Amante da noite é a poesia
Nas ruas nuas de pudores
 
Noite ditosa, palavra ardente
No fado e tertúlias embriagadas
Alarde de um verso pungente
Toando nas bocas ressacadas
 
Irrompe quebranto e destino
Noite que aquece a cama do mar
Adormece o vento ainda menino
Mima o rosto do sol por chegar
 
Na noite me invento donzela
Se um fidalgo me sonha,
E se um poema traz com ela
É do encanto…a noite risonha!
 
(imagem: anoitecer, Tinta Azul)
 
publicado por Utopia das Palavras às 21:48

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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