31
Jan 09

                                                                 

 
 
Sei que vais e porque tanto teimas
Sei de um ferino passado que te rói
Sensato vulcão onde te queimas
Apaziguado na lava que te constrói
 
Não sintas o acre da escuridão
Que impávida, numa cegueira cruel
Engole a revolta mordendo solidão
Ignorando que do fel se faz mel
 
Esgares de corpos perdidos, mas tu não!
Das lascas e das puas da surdez
Far-se-ão bandeiras na tua renhida mão
E assim, acordarás os sonhos…talvez!
 
Vai! Vai sempre em passo absorto
Como se marcha de parada fosse
Leva-me! Leva outro e mais outro
A firmeza, de nós apoderou-se
 
Agora não és tu, és multidão
Avalanche de luta, massa desperta
Raiando no polir da razão
Fazendo de nós, âmago num sibilar de alerta!
 
publicado por Utopia das Palavras às 19:17

24
Jan 09

 

 (venus e adonis)

 

És Outono quando te grito

Olimpo no meu sideral encanto
Sou um Inverno aflito
Em Baco bebido de pranto
 
Em ti hiberno em cume de neve
Nas horas que me dou insolente
No templo da luxúria meu suor te escreve
Volúpia de aromas na seda ardente
 
Estendo em brocado no teu chão
Tapetes de pétalas de água e jasmim
Os teus lábios vivos, consentirão
Bálsamos arrojados de mim
 
Hoje elevo-te a um deus
Porque de ti deste, merecimento meu
Da dilecção mais bela que há em Zeus
Dou-te os raios de sol, de Apolo e os céus!
 
 
publicado por Utopia das Palavras às 17:29

17
Jan 09

(silkmom)

                                                                                                          

Traidora batalha sem norte

Desmesuradamente cega
Combate de vazias mãos de entrega
Ferindo longe, mas ferindo forte
 
Hoje quero paz
Deslizar os dedos nos fios
Dos teus cabelos esguios
E extinguir-me na calma que me dás
 
Hoje só quero tréguas
Mesmo sendo guerreira selvagem
Quero repousar da coragem
No imenso prado das éguas
 
Pressentir o medo de feroz luta
Faz cansar a força que se esvai
Lenta e lânguida a espada cai
Negando o sofrer da disputa
 
Que pare o ciclo dos dias na minha mente
Da guerra quero indignar-me
Chamar o mundo e chorar-me
Dar-me à paz incondicionalmente!

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:13

10
Jan 09

 
Hoje quero ser tua, meu amor
Rodopiar até ao sonho e planar
Como as densas e belas asas de açor
Quero ser tua por dentro, sem ter lugar
 
 
Desvirginada deserta a lua
Em orbita de fogo que te trouxe
Rasgando a minha pele quero ser tua
Num bolero arrebatado e doce
 
 
Hoje quero ser tua, meu amor
Inventar um mundo, sei lá! Na praia morrer
Quero beber o soluço do teu sabor
Morrer outra vez …e viver
  
Na dança quero ser tua
Desfalecer depois…
Quero ficar vontade nua
De nós dois…!
 
 
(foto:Jose Bezerra)

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:53

03
Jan 09

(josé bezerra)

 
 
Agreste futuro tempo, matizado
Vão balançar de vento em solidões moído
Sulco nas pedras mirras, gravado
Fantasia dum trilho eternamente doído
 
Nós, ápices do pensamento
Desfeito nos troncos de ilusão
Em tempo que se faz aluimento
Improvável sonho de perfeição
 
E nesse sereno piado das aves
Qual espasmo da terra que treme
Premente erguer de enlaces e traves
E da vontade fazer destro leme
 
Tempo agreste com cheiro de flores
Laivos oásicos nos fios da poesia
Veias que pulsam sangue de adivinhas cores
Recrudescimento de antiga utopia!

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:55

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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