30
Out 08

         (valter)
 
Ter fé tão só é, atitude peregrina
Ter fé, é ter causas e saber dar
Tenho uma fé de pequenina
Que o mundo se faz a mudar
 
Ser a vanguarda, é ter fé
Mesmo tombando na estrada
Da serrania encetar o sopé
É ter fé, continuar a jornada
 
Ter fé que a terra nua, lavrada
Germine trigais de esperança
Do meu povo sempre aleada
Tenho fé, na perseverança
 
Ter fé que a traineira abatida
Em breve dia voltará ao mar
Nunca a fé está perdida
Porque há vida para navegar
 
Ter fé, é crer no pulsar
De um povo silencioso, que demora
A agregar vontade e acreditar
Que um dia o sol rubro alvora!

 

publicado por Utopia das Palavras às 15:04

24
Out 08

 (chagall)

 
Que morra nos teus braços
No trajecto dos teus passos
E nos atalhos dessa aventura
Deixa-me sempre encontrar-te
Dando de mim sempre parte
Quero ser razão e bravura
 
Joga os dados da minha vida
Aposta na sorte esgrimida
De todas as pisadas que dou
Faço estátuas de combate
Num esculpir de arrebate
Para descobrir o que sou
 
Que morra por respirar
A firmeza do teu ar
Em tempo ambíguo, hora desfeita
Que me prenda nesse regaço
Que morra por tudo o que faço
No crivo que não me sujeita
 
Nos teus braços libertados
Em arrojos desesperados
Descubro sinais da verdade
Que morra sem sentir medo
Dos cárceres e do degredo
Que morra de liberdade!
 
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 10:20

19
Out 08

(Chagall)

Trago nas mãos uma força alerta
Empunhando uma arma singela
Todos os dias na descoberta
Da vida sou sentinela
 
Da montanha que levo subida
Pelo seu vale sou coberta
Se me perco, peço guarida
Trago nas mãos uma força alerta
 
As pedras fúteis dos trilhos
Se atiradas deixam sequela
Mato, se ferem meus filhos
Empunhando uma arma singela
 
Se a poesia da vida é rima
Nos seus versos ela desperta
Sem intuitos que a reprima
Todos os dias na descoberta
 
Escudo que abriga a bravura
Na guarda da cidadela
Arma que a minha mão segura
Da vida sou sentinela

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:39

14
Out 08

 

         (raul perez)

 

Logro de um mundo, onde a verdade implora
E as gotas de água ferida
De cada lágrima de verdade que chora        
Seguem rasteiras de esperança
Para um rio de orgulho que as explora
 
E a água rubra, inquieta de revolta
Que de levada forte e transbordante
Açoita e brava faz levar de volta
As canoas acostumadas a rio manso,
Acomodado a lágrimas de maré solta                        
 
Se galgando as margens sujas de vingança
Revolto, por um acordar sacudido de vento
Adivinhando a tormenta de mudança,
Elevar-se-ia lúcido e são, varrendo o logro  
E correria limpo, com margens de bonança
Ausenda Hilario

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 14:17

09
Out 08

 

 

Rostos de História

De semblantes épicos
Passados de memória
 
Espelhos de platina e ouro
Transparências resgatadas
De um qualquer tesouro
 
Rostos de sulcos vincados
De vida dura
Riachos de água marcados
  
Rostos ditosos de alegorias
Lantejoulas meninas
Luzentes de alegrias
 
Rostos de afagos de miséria
Combatidos de sol agreste
À mingua
 
Rostos displicentes, polémicos
De mentira e retórica
Negociadores anémicos
 
Rostos sem nacionalidade
De beijos e de pele
De distâncias sem idade
 
Rostos de marés e oceanos
De terra, de calos e pão
Fechados de perdas e danos
 
Rostos de mapa difusos
Finos, rudes, desvalidos e abastados
Rostos inclusos!
Ausenda Hilário
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 08:55

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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