26
Jun 08

 

                      (Cruzeiro Seixas)

            60 anos não esquecem Nakba

Palestina oprimida
Resistência que não acaba
Luta de uma vida
 
De muitas vidas tiradas
Uma casa uma bala
Cidades de sangue manchadas
De um povo que não se cala
 
60 anos a lutar
Contra a feroz expulsão
Na sua pátria milenar
Com simples pedras na mão
 
Limpeza étnica cruel
Imposição sem sentido
Pelo estado de Israel
A um povo assim sofrido
 
Tirar a terra é cobardia
A um povo autodeterminação
Gente da Palestina um dia
Serão uma grande Nação
 
Palestina une as mãos
Até ao fim, sempre verdade
Gente resistente, irmãos
A nossa solidariedade
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 14:25

 

                 (Mario Botas)

 
Hoje faço um verso triste
Para ti querida amiga
Porque a força que em ti existe
Neste Outono te fustiga
 
Terno foi quando se olharam
Nossos olhos e serena imploraste
Quando as tuas mãos me tocaram
E quieta, escutando ficaste
 
Não é fantasia a tua dor
É dor física dilacerante
Teus gestos ainda têm cor
Resiste, fica mais um instante
 
No teu peito ainda canta
A sonata que tocando silencias
É nossa a solidão que se levanta
Recordo quando no meu colo dormias
 
Fica amiga, ficas, partindo
Mesmo que estrela estilhaçada
Fundeaste em nós e mesmo indo
Permaneces sempre, para nós amada!
 
 
 
  Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 12:41

22
Jun 08

 

Mote                                                   (joao moniz pereira)
Terra árida adormecida
Que dentro de mim ficou
Perene, adormecida
Vieste tu e findou
 
Espreguiçada num pranto
Numa chuva desmedida
Onde tu foste o meu manto
Terra árida adormecida
 
Qual gota de cetim caída
Num fogo que acordou
Fez incendiar a vida
Que dentro de mim ficou         
 
Terra que a lua inundou
Sorrateira e atrevida
E assim me deixou
Perene, adormecida
 
Terra era eu secando
Num tempo que não alterou
Deserto que foi magoando
Vieste tu e findou.
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:17

18
Jun 08

(Ana Hatherly)

 

Insípido
Inócuo
Desagua num vazio
Embora cúmplice
E recíproco
O toque inatingível
O sentir imaginário
Magoa
E anseia-se
Inodoro mas colorido
Sabor amargo
Sabor a pouco
Num ápice
Interrompido!
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 15:10

 

                         (Malangatana)

 
Instinto libertário
Estilhaços de papel e tinta
Espírito revolucionário
Tornaram a poesia distinta
 
Consciências derrubadas
Por escrita de suor e paixão
Nas palavras conspiradas
Poetas da revolução
 
Diferentes pela bravura
Visionários da verdade
Sem medo nem amargura
Na prosa cantaram liberdade
 
Soberbo “Seara Vermelha”
História do latifúndio obstinado
A luta dos sertanejos espelha
Nos olhos de Jorge Amado
 
Foi ódio e foi amado
Tão bem cantado por tantos
Poeta da raiva, inconformado
Sentido das palavras, Ary dos Santos
 
Romântico num tempo alheio
De poesia fecunda e desnuda
Poeta de coração cheio
Eterno e audaz Pablo Neruda
 
Revolta pelo povo aclamada
Que Cuba evocou para si
Poetas da Sierra Maestra e Moncada
Mártires, Guillén e José Marti
 
Gratidão dos povos merecem
Pelo olhar vasto e profundo
Nas mensagens que não perecem
Poetas de todo o mundo!
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 14:52

07
Jun 08

   (Vieira da Silva) 

 
 
Escrevendo por aqui ando
Com sentido e com prazer
Porque vivo procurando
A partilha e o Saber
 
Da tinta que marca o papel
Às vezes sofrida ou altiva
Rasga de modo indelével
Mancha a cor revolta e viva
 
Poemas, versos e rimas
Nascem daquilo que vejo
Tinta que sempre lastimas
A escrita do meu desejo
 
Dizer palavras é poesia
Exposição do eu sonhador
Mensagens de quem cria
Simples auréolas de amor
 
Escrevo de raiva e paixão
De dúvida e também de certeza
Explodem na minha mão
Simples esboços de firmeza
Ausenda Hilário

 

 

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 23:09

                                                              (Desenhos da prisão - Alvaro Cunhal)

Nós também
Queremos tudo
Os rios e os mares
Tudo o que o mundo tem
Dos mares as marés
Nós também
Queremos tudo
Casas, escolas, jardins
As rosas, os cravos e jasmins
Nós também
Queremos tudo
Paz, saúde, educação
Da paz a tolerância
Nós também
Queremos tudo
Trabalho, dinheiro e cultura
Do trabalho a mais valia
Nós também
Queremos tudo
Presente, passado e futuro
Do passado a memória
Nós também
Queremos tudo
Os cometas, os planetas e as estrelas
Dos cometas a luz
Das estrelas o brilho delas
Nós também
Queremos tudo
Um sorriso
E um pedaço do mundo
Nós também!
Ausenda Hilário

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:19

                         

 

 

 

 

Deixo-me ficar assim, inerte
A espera tranquiliza-me
Acalma o fogo
Que teima em queimar
Na fogueira que acendeste
Sossega o meu olhar
Que hoje não vê iludido
Quero-te amanhã e depois
Mas quero ficar assim inerte
Sentindo só
Sentindo profundamente
Porque é mais forte o sentir
Do que a distância de ti
Não és poema, és poética
Não és mentira, és Verdade
És o ponto de partida
Da chegada que não tarda
És Liberdade!
Ausenda Hilário
publicado por Utopia das Palavras às 16:14

                     

 

      (Picasso)

 

Um inicio devagarinho
É um círculo redondinho
Um circulo pequenino
É um Prisma em rectângulo
Uma recta em forma de ângulo
 
Espião imperceptível
É um beco, é uma mina
É um túnel invisível
Evasivo que domina
 
É perverso, atrofia
Esmagador, crediário
É cratera, bolomia
É lesivo é um falsário
 
É nefasto, é relapcia
Empresário ganancioso
É cego e tecnocracia
Monopólio astucioso
 
Petulante e vigarista
Movediço, irracional
Renitente e consumista
Explorador, imoral
 
É festim
Cataclismo
É assim
O CAPITALISMO!

Ausenda Hilário

publicado por Utopia das Palavras às 16:08

               

         (Desenhos da prisão-Alvaro Cunhal)

 
Povo é aquele que se pinta
Com as cores da revolução
Que quer a desigualdade extinta
Que condena a exclusão
 
Povo é aquele que luta
Contra a hipocrisia e a exploração
Somos povo na labuta
Para ganharmos o pão
 
Ser genuíno é ser povo
E não queremos mudar
Povo seremos sempre
O nosso caminho é lutar
 
Luta do povo é abnegada
Já os nossos avós o fizeram
Herança por eles deixada
Aos que depois vieram
 
Continuaremos assim
Somos povo até ao fim!
Ausenda Hilário
publicado por Utopia das Palavras às 16:04

                        

Não queiras ultrapassar
Por qualquer meio, qualquer fim           
Ao topo não queiras chegar
Pisando gente sem fim
 
Se é difícil vingar
Com trabalho e sensatez
Não hesites em chegar
Com suor e honradez
 
Não vendas o teu valor
Pois não te sentirás bem
Podes viver com esplendor
Mas serás sempre refém
 
Refém da consciência
E da ética que é importante
Ninguém tem condescendência
Pela imodéstia constante
 
Não se nasce solidário
Muito menos tolerante
Requer exercício diário
Numa aprendizagem incessante
 
Faz da tua primazia
Camaradagem e milita
Exerce a cidadania
Que na Constituição está escrita
Ausenda Hilário
 
publicado por Utopia das Palavras às 15:51

01
Jun 08

          

Agarro-me a ti
Como aresta de pedra
De queda que caísse
Agarro-me a ti
Com olhar de quebranto
Como se outro mundo não existisse
Agarro-me a ti
Astuta e selvagem
Colando na minha pele a tua
Agarro-me a ti
Despida de luxúria, nua
Agarro-me a ti
Desprendida!

 

Ausenda Hilário
publicado por Utopia das Palavras às 23:37

          

Incrédula vejo-te partir
Para te esconderes no mundo
Vejo-te de mim fugir
A cada instante, cada segundo

Acordaste-me para a vida
Agora sim sou mulher
Numa exaltação desmedida
Sou sol ao amanhecer

É falsa a tua partida
Jamais acredito nela
Sempre voltas de seguida
Batendo na minha janela

Janela nunca fechada
Porque se fecho anoitece
E em vão sou esperada
No sorriso que a noite tece

És tu, sim
Que sem vontade
Foges e voltas para mim
És tu sim, felicidade
És tu, sim

 

Ausenda Hilário

publicado por Utopia das Palavras às 23:36

           

É no silêncio das noites
Que num lento sussurrar
Grito o teu nome
E calada, quieta
Ouço o teu eco
Transforma-se o grito em cor
Tela da minha esperança
Traço fácil o teu nome
Pequeno, silencioso
Porque no silencio das noites
Não é o teu nome maior
Maior que o teu nome
É o meu grito sussurrado
Calado
Num silêncio desnorte
Faz dos meus instintos
Gestos que apago
Sem ler as suas respostas
Silêncio presente, estridente
Sinto o seu som
Em cada palavra que não escrevo
E assim inconsciente
Perpetuo-o!

Ausenda Hilario - 20 Abril 2007
publicado por Utopia das Palavras às 23:35

Rasgo-te de verdade

Para sentir que ainda existes

Amanhã ainda não é tarde
Dou-te a alma que me pediste

Da alma que ainda é minha
Dentro dela trago a dor
E a luz que ela tinha
Pintei com a tua cor

Pintei versos pintei traços
No espaço outrora vazio
Decalquei todos os passos
Da alma que me pediu

Nela cresceu afeição
Do hábito de te lembrar
Cresceu forte e sem razão
Fez laços no teu olhar

No teu olhar li ternura
Que transformei em paixão
Sentimento que perdura
Fechado no teu coração

Complexa a alma da gente
Sempre numa encruzilhada
Engana-nos sempre que mente
Verdade no teu rosto estampada

O sentimento não finge
Expressa-se atordoado
É no meu corpo que atinge
Um êxtase magoado

Alma translúcida mentira
Rasgada porque não existe
Aquilo que sinto não tira
Partida, porque partiste!

Ausenda Hilario

 

publicado por Utopia das Palavras às 23:30

                   

Quem me ensinou a rimar
È a verdade que encerro
Difícil foi começar
Agora parar era um erro

É fácil escrever a granel
Porque se tem inspiração
Difícil é pôr no papel
Ideias em turbilhão

Ideias exemplos da vida
É Ela que nos ensina
Realidade vivida
Da vida ainda menina

Da escrita gosto da cor
Do tom e do sentimento
Da força do seu sabor
Inspira-me o desalento

Desalento que sempre parte
Nas palavras que vou escrevendo
Nas linhas timidas da Arte
As emoções vão crescendo


 

Ausenda Hilario
publicado por Utopia das Palavras às 23:27

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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