18
Nov 08

 

Nesse imenso mar índigo e chama
Fogueado em grãos de ouro e prata
Em espraiadas maresias, meiga cama
Onde eu adormecia pacata
 
Efémera foi a paz, onde a tenho?
Recortes de quietude, sonhos lugares
Praias e serros meus, hoje engenho
Vencidos e sós, são os meus mares
 
 
 
Arribas, chorões, silvas e dunas
Massacres de tantas dores
Áureos desertos, mira de fortunas
Parda cegueira de mercadores
 
Rendada serra, alcanço de mar
Conquistando mouros e ilhas
Tantas milhas para acercar
Ostras, medronhos e conquilhas
 
Eu petiza, desafio de montes e marés
E o grito das gaivotas bailando corridinhos
Amávamo-nos, descalça, veludo meus pés
Simbiose de anil, acordeão e ferrinhos
 
Areias de açúcar vizinhos da serrania
Meus promontórios, esconderijos de amor
Onde selvagem uma roseira nascia
Impunes, prosperam cimentos de rancor
 
Nostalgia minha, cruel certeza
Remotos sapais de luas salinas
Minha ria, ai espelho de tristeza
Formosa e bravia, és recreios e marinas
 
E eu? E nós que a amamos singela
Amor de sol, iodo, conchas e figueiras
Indefesos meus olhos, gotas de sal por ela
Buscam sentido no olhar das amendoeiras!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:17

Li uma segunda vez ao som do baile mandado. Fica giro...
é uma bela mistura de sentimentos de mares e serras, conchas e medronhos, do sul, um cheiro do sul.

maria a 19 de Novembro de 2008 às 01:23

Maria

Verdade, ao som do baile mandado é giro. Sabes que procurei essa música do Fausto para colocar e não consegui encontrar.
Do sul sim... bem perto do mar!

Beijo

Moça,
Adorei este teu poema. Porque será que me revi tanto nas tuas palavras?
Minha ria, ai espelho de tristeza, Formosa e bravia, és recreios e marinas...
Kisses.

Post Scriptum: Boa escolha musical.
Ludo Rex a 19 de Novembro de 2008 às 03:42

Ludo

Porque será moço? Porque será...
Kiss

Ainda ontem cá cheguei e eram rodopios, hoje vejo que são corridinhos. Mas tu não páras de dançar com os versos miuda? Gostei, gostei da tua (nossa) ria e das ostras.. hum!

xi...mori (desculpa)
Paulo a 19 de Novembro de 2008 às 12:52

Paulo

Pois é... a dançar com os versos, com o mar e com as ostras da ria Formosa!
Bj

Obrigado pela visita e pelo teu simpático comentário.
Fiz um voo aqui pela tua casa e achei-a fantástica. Por vontade minha, ficava horas a vaguear por todas estas páginas de inspiração e beleza.
Eu volto.
Vou manter-te debaixo de olho!

Um beijo

Jorge
A. Jorge a 19 de Novembro de 2008 às 18:12

Jorge

Obrigada, fica à vontade, voando, vagueando... a casa é tua!
Debaixo de olho também ficaste!
Um beijo

Por vezes encontramos paz diante o rio, outras….fica a nostalgia
beijos
luna a 19 de Novembro de 2008 às 19:58

Luna

Nostalgia do mar que foi... já não o é!
Beijos

A paz é tão efêmera que devia se chamar nuvem. Quanto tempo dura antes que se forme tempestade?

Ihhhhhh... apaga parte do que falei no Hi5, pois já nos encontramos por aqui.

Um beijinho
Menina do Rio a 20 de Novembro de 2008 às 00:12

Menina do Rio

Nuvem de paz, de bonança... de esperança, amiga!

fica bem
beijo

Cheguei aqui por acaso e gostei do que li.Voltarei.
Frutosdemimemar.blogspot.com
IBEL a 21 de Novembro de 2008 às 09:31

Ibel

Grata pela chegada!
Chegarei lá também!
Beijo

Petiza!!!!
Ternurento o teu poema, a nostalgia do mar e serra devorados pelos mercadores (falsários)
pela ganância do bem estar dos poderosos.
E as gaivotas que já não dançam o corridinho. Belo
Bjinho
Nuno a 21 de Novembro de 2008 às 10:19

NUNO

As gaivotas não têm eira para poder dançar, infelizmente!
Brigada pelo carinho.

beijo

Eu hoje só leio coisas bonitas, ou então estouu virada para o sentimento! Adorei o teu blog e muito este poema.

Vou voltar.

Bjinho

Céci
Liar a 21 de Novembro de 2008 às 11:20

Ceci

Decerto é o teu sentimento à flor da pele.
Obrigada

Um beijo

No medronhal abandonei memórias
de menina a viver sonhos d'encantar
inocência, piscos e muitas histórias
das amendoeiras não sei conversar...

Lindo o teu poema. Que banalidade a minha...

Beijinhos doce de amêndoa
Paola a 22 de Novembro de 2008 às 18:53

Paola

Petiza... saltaste e dançaste
Com os medronhos, a serra e o mar
Para outros mares navegaste
A vida é sempre a sonhar!

Banal a menina? Está louca?

Beijos saltitos de piscos

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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