13
Nov 08

(Jose Penincheiro)

Longínquos lugares que amei
Lugares de encanto maior
Húmidos arrozais que caminhei
Em campos a gemer de cor
 
Cultivos outrora riqueza
Tão verde amarelo  trigal
Suculentos pedaços de beleza
Espelhos de colo maternal
 
Ora vejo e não sinto o fulgor
Perenes a palpitarem os campos
Amálgamas em explosão e suor
Com archotes de pirilampos
 
Cheiros aragem campestre
De brisa que sabia a tomilho
Aromas dum olhar silvestre
Saudades do trigo e do milho
 
Esguias papoilas aos molhos
Vermelho e sol em melodia
De corpo frágil os olhos
Negros de fortuna vadia
 
Meus olhos de água ribeiras
Juncos beirando açucenas
Ecos do canto das lavadeiras
Lavando na pedra suas penas
 
Moinhos fingindo ventos
Velas rodando com ânsia
Mós em rodopios de lamentos
Genuína saudade de infância!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:30

Belo poema moça. Kisses
Ludo Rex a 13 de Novembro de 2008 às 23:21

Ludo

Obrigada moço!

Beijos

Lindíssimo poema. Como são diferentes as coisas nos dias de hoje; quanto mais vamos perder em nome do progresso e da globalização? Um beijo.
manu a 14 de Novembro de 2008 às 00:10

Manu

Obrigada! Queria que o camimho fosse a ganhar...tenho esperança!

Um beijo

A minha infância foi toda à beira do mar...
mas também gosto de sequeiro...
:)))
Beijos
maria a 14 de Novembro de 2008 às 01:00

Maria

A minha tambem sempre à beira mar, mas sempre me fascinou a ruralidade...adoro andar por lá!

Beijos

Que belas são as suas recordações!

Vim, li e gostei muito da sua escrita... Voltarei muitas vezes!!!


Beijos de luz e o meu agradecimento pela gentil visita...
zélia a 14 de Novembro de 2008 às 09:18

Zélia

Obrigada. As viagens, quando crianças sempre nos marcam de maneira peculiar...!

Um beijo

Como eu me revi nessa nostalgia da infância, Ausenda... Lindo!
Beijos
Lúcia a 14 de Novembro de 2008 às 09:57

Lucia

Marcas que perduram pra vida inteira...!

Beijos

A infância deixa-nos esses sabores e cheiros, para o resto da vida.
(não me leves a mal mas não gosto do Pedro Barroso)

Beijos
Ana Camarra a 14 de Novembro de 2008 às 13:05

O meu Alentejo no teu blogue!
Eu sou da planície, do calor que se vê sair das pedras!
A minha mãe foi ceifeira, adorei a imagem!
Os versos, que dizer dos versos, lindos!
Abraços da Lagartinha de Alhos Vedros
Anónimo a 14 de Novembro de 2008 às 16:08

Ana

É verdadade amiga!

(gosto da tua frontalidade)

beijos

Ana

É verdade amiga!

(gosto da tua frontalidade)

Beijos

por vezes sentimos a falta de tudo o que de magia existia em criança, eu sinto a falta, pois acontece porcas vezes, sentir o cheiro a terra molhada
beijos
luna a 14 de Novembro de 2008 às 22:31

Luna

...sente-se a falta, mas também é uma saudade gostosa...!

Beijos

Poema lindo, bem concebido, a rescender (creio) a Alentejo, com seus aromas, brisas, flores, cores, olhares de lá, ribeiras e lavadeiras, moinhos, pirilampos, numa Natureza inesquecível para infâncias nascidas e vividas lá, nesse país Alentejo, onde se vivia, dantes, sofrimento e carência, ou pobreza, e para tentar sobreviver-lhe se enterrava em dureza de trabalho, se o havia, todo o corpo escorrente de suor, com a alma a chorar de mesmo assim tantas vezes não se conseguir sair do charco da penúria. Mas, ainda assim, desse (nosso) país Alentejo há em si saudades desse tempo, saudades que na terra das memórias sensíveis, como em geral a dos Alentejanos, jamais fenecem e são lenimento para muitos momentos maus por entre o esterco civilizacional de hoje, sobretudo nas grandes cidades em guerra material e psicológica.
Ah!... Gostei do comentário que fez à sequência fotográfica de Mértola no blogue de Eduardo Aleixo, «À Beira de Água». Parabéns.
Mirtilo Ruivacho a 15 de Novembro de 2008 às 00:19

Murtilo

Obrigada pelo seu comentário, bonito, rico a transparecer sentimento, de verdade e de consciência da realidade do que era (é) esse (país) Alentejo.
Efectivamente escrevi a pensar nele, embora eu seja algarvia de gema, o Alentejo, aquela imensidão, sempre me fascinou e apesar de tudo continua a encantar-me.

Abraço

Ao ler-te, Ausenda, andei por aí... E no medronhal da minha infância ouvi piscos e poupas. E vi-me a correr para lá, num vestidinho com folhos...

Lindo, o que escreves.

Excelente fim-de-semana
Paola a 15 de Novembro de 2008 às 00:45

Paola

Esqueceste-te das laranjeiras... e dos pintassilgos...! Eu vi-te, estavas linda!

A minha escrita é tão pequenina, ao pé da tua !

Beijinhos

É bom recorrar-mos a infância
E tudo que nela aprendemos
Tudo teve a sua importância
Por isso nunca esquecemos

Um bjo camarada poetisa.
POESIA-NO-POPULAR a 16 de Novembro de 2008 às 14:19

Manangão

Felizes ou não, crescemos
Fizémo-nos à vida que conquistámos
Recordá-la é mantermos
A raiz do que para trás deixámos!

Beijos amigo

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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