10
Jan 12

 

 (odette itah)

 

Cansam-se as manhãs

Dormentes de insónia

Desesperada dos beijos

Vagabundos

Nas noites, que sendo tuas

Foram pertença dos meus desejos

 

Tortura, intrínseca memória

Da pele impregnada

Vício do amor da alma

Agora, um breve nada

 

Memória ardente

Prenhe e desarvorada

Que por um fio se alastra

Em cidadela incendiada

 

Memórias...

são vagas da tua ausência!

publicado por Utopia das Palavras às 22:46

07
Ago 11

(tela de  Ventura González Pedroza)

 

Ouvimos com o sangue das mãos

Sentimos com o gelo que escorre do rosto

Resistimos com as pétalas que florirem as estradas

Extinguindo as montanhas

Nas planícies madrugadas

 

Sem prosas de desespero

Nem medo do lado deserto

Amamos na justa parte

Que da terra nos pertence

 

Amamo-nos…

Ansiosos de um poente

Arado de papoilas

E trigos infantes

Juncados como metáfora

Desse sonho urgente

 

Só desse amor se nasce

Só desse amor respira o sonho

Só essa ponte feita de nós e utopia

Nos lança os passos, como leme

 

Amamos…

Na igual condição

Dos amantes

E de ser além o dom tranquilo

Que já tão perto se augura

E se desprende

Quase livre!

publicado por Utopia das Palavras às 19:25

28
Mar 11

 

Avança alta a sombra do cansaço

Na espera que não cessa

Cai-me o corpo no regaço

Demora-se o tempo na promessa

 

Vela de vento

Neste meu fado

De arrancar a esperança

Ao frio do relento

E no vaivém da bonança

Esperar-te como destino marcado

 

Moinho de água

Da mágoa escondida

Tanto espero o momento

De alma agora despida

Virás, na roda do vento!

 

(tela de Isabel Espadeiro)

publicado por Utopia das Palavras às 22:28

20
Fev 11

 

(tela de Ana Isabel André)

Cúmplices da plenitude

Do ventre, do seio, dos dedos

Deslumbres de todas as cores

Cavalgando como corcéis

São flores

De desejos

São danças de papel

 

Ingénuas, sonhadoras

Também feridas

Se a tinta de cada verso

Não lhes salpica um sorriso

 

Letra sobre letra

Uma pétala colorida

Rendição sem medida

Da palavra que nasce

E se faz metáfora

Dos desejos!

 

publicado por Utopia das Palavras às 19:39

20
Jan 11

 

                                                                               (yolanda botelho)

Havemos de rir do vento,

Havemos de entranhar nas mãos

A constância de sermos justos,

 

Havemos de cultivar o chão

Donde nascem as Primaveras

 

Havemos de sonhar à chuva

E dançar como alquimia

Na hora da insurreição,

 

Havemos de tirar dos olhos a solidão

E dar nome à utopia,

 

Havemos de rasgar querelas

E escondê-las atrás do sol

 

 

Havemos de saltar muros inquietos

E fazer filhos na outra margem

 

Havemos de nos dar aos rodos

Até que os nossos sonhos se toquem!

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:54

08
Dez 10

Sempre resta

Todo o tempo dos malmequeres

 

E aquela fresta

Que no coração se abre

 

O cheiro a giesta

O sonho que na mão cabe

 

E a força que gera

Da ternura

 

O tempo faz-se

Nasce...

 

Nos pés dos malmequeres!

 

(oleo s/tela de Ricardo Paula)

publicado por Utopia das Palavras às 20:42

09
Nov 10

(carla cunha)

Faço-me tristeza

De muito chorar

Para que não sequem os desertos

Nem os desejos

E cada lágrima conclua a tábua

Do alcançar oásis de água

 

Nesse vagar da chegada

Seja brando o fim da sede

Dissipando a melancolia,

Como ave de asa sarada

Rompendo o azul infindo da poesia

 

Voando tão longe

Quanto a convicção de chegar,

Com a certeza do chão

E do sonho

De eternamente ter

Asas para voar!

publicado por Utopia das Palavras às 22:07

02
Out 10
                     (tela de Magda Rivera)

De alento se faz o corpo

De mínguas luas se atraiçoa a fome

Das bocas que já não abrem

Sustento lento,

Que mata gente,

Que de seu nem tem o nome

 

E os pés como charruas

Repisam vácuos, vãos e nadas

Lavras de um sol cansado

Mastigam as minhas mãos fátuas

E nuas…

 

A inércia dos dias iguais

Fincam as palavras revoltas

E livre de escoltas

Vem o dia e a hora arguta

Em que grito – basta!

 

Nem mais um gole

Nem silêncio

É do tempo urgente

As sendas da minha luta!                             

publicado por Utopia das Palavras às 21:33

12
Ago 10

Tudo o que chorasse um dia

Por um fio de saudade morresse

No meu seio sobreviveria

A âncora que me prendesse

 

Cada grito que silenciasse

Noutra boca se acendia

O cravo que se tornasse

Num cantar de cotovia

 

O abraço que me escorasse

Eternamente o seria

Se a vida não olvidasse

Que num abraço, outro havia

 

Mesmo que sem asas, pairasse

O sentir de uma poesia

Era como se me libertasse

De tudo o que chorasse um dia!

 

(tela de Margusta Loureiro)

publicado por Utopia das Palavras às 22:32

06
Jul 10

Enxugam-se os olhos e adiante

Outro amor haverá por mondar

Que me alcance o caminho distante

Nos atalhos que sei do mar

 

Atalhos, puras pedras de moer

A dor que é pó e ignorada

De mim, só o passo pode correr

Descobrindo mais atalhos dessa estrada

 

Antes que me descubra a agrura

Das sendas que esmorecem

Me levante, mesmo que escura

Seja a noite dos olhos que não adormecem!

(aguarela de joão alfaro)
publicado por Utopia das Palavras às 21:41

10
Jun 10

Outonos são os teus olhos

Folhas recortadas que em mim pousam

E ousam

Descobrir-me os desejos

 

De sentir para além da pele

De ser um rasgo constante

De ser voz para além do mel

De ser pássaro de levante

 

Outonos são melodias

Carregadas nos meus olhos

Bandeiras de utopias

De sonhos que crio aos molhos!

publicado por Utopia das Palavras às 21:21

17
Mai 10

(desenho de Constança Lucas)

 

Pensei no que sinto por ti

E isso fez-me exultar

São tantas as flores que colhi

E todas para te dar

 

Pensei nas tuas mãos quentes

No meu corpo a clamar

Sinto tudo o que tu sentes

Colhi beijos para te dar

 

Pensei na tua boca amora

Chorando por um beijo meu

Também o jasmim quando chora

Foi porque alguém o colheu

 

Esse teu olhar matreiro

Tem um encanto qualquer

Olhar de um tom brejeiro

Com cheiro a malmequer

 

De tantas cores és amor

Arco-íris que não tem fim

És um campo… és uma flor

És gérmen dentro de mim!

publicado por Utopia das Palavras às 22:06

28
Abr 10

(tela de Julia Calçada)

 

Encobri as penas

no silêncio dos poros

seduzi-te no riso

 e nas cenas

do teu palco

aplaudi...

 

Fingiu-se a morte

O tempo ganhou esporas

A distância de mim e das tuas demoras

Parou num ténue fio de vento norte

 

Ditou-se a sorte

Caiu o pano e eu, esperança

Desato os olhos como criança

E nasço sempre mais forte!

publicado por Utopia das Palavras às 22:59

22
Abr 10

 

Eram bocas caladas

Ou um fuzil

Mãos exploradas

Um pedaço de pão, ou um covil

 

Eram sombras de escuta

Tortura e perseguição

Mas fomos anos de luta

Vermelho ou anil

Fomos revolução

Fomos…seremos Abril!

publicado por Utopia das Palavras às 21:24

28
Mar 10

 

 

Ouso fazer das nascentes

 as margens do teu ombro

berço embevecido no alento

do sol e de sal chorado,

ponte de um rio lavado,

jamais um escombro,

o meu sustento...

 

Ocaso é respirar por instinto

e tu, colina de coragem destemida

onde só o vento

é o labirinto

dos urros que sorvo da vida

 

Ombro aonde remanso

o medo de um gesto,

ou de um adeus

Lírio laço, quando me lanço

no manso caule

dos ramos teus

 

São as tuas raizes urdidas

Na minha utopia anciã

e nas horas sobrevividas

desmancho no teu ombro a manhã!

 

(imagem: Lou Poulit)

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:35

25
Fev 10

(Egon Schiele)

 

Tão certos como loucura

São meus, os dias vagabundos

Arrancados sem pudor

Ao austero ciciar das bocas

 

Vagueio, flor incerta

Que recusa o poisio

E nasce do céu

Que também é terra

 

Correndo, cega do sonho

Nas vezes em que caio

Na lama das ruas,

Vadio o desejo

e prometo-me

Mundos e luas…

Lançando tréguas

à rebeldia de um beijo!

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:42

07
Fev 10

Abrigo-me em qualquer porto
Um fogo, um farol, uma teia
Fica meu peito de areia, absorto
Aninhado na espera dos olhos da lua-cheia
 
Que o meu corpo vivo de sangue flua
Mutável dor, ternamente rompida
Seja dócil o medo ou eu verdade crua
Que de um poema já fui guarida
 
Segredam-me as estrelas odes da saudade
De quando as palavras me eram leais
Resta-me apenas corpo…e o meu cais

Até que um verso nasça e me chame liberdade!

 

(imagem: Elisabete D`Silva)

publicado por Utopia das Palavras às 18:55

17
Jan 10

Imaginei-o um rio
E tenho saudade
Desse lugar (im)perfeito
Onde a terra me é vaidade
 
Prenúncio da minha harmonia
Da pele que de sol aquecida
No abrigo da poesia…
Era esse lugar que eu lia
 
Ah é esse o meu lugar…
Tem prados e letras pachorrentas
Tem manhãs de medronho
Montanhas de versos
e improvisos
e tem…vento!
 
Esse é o meu lugar
Com chão de giesta e mar ao pé
Tem de poesia o pulsar
E gorjeios de maré
 
Hoje não o senti
E o meu coração ficou mudo
Crendo que o esqueci…!
 
(imagem: taziana)
publicado por Utopia das Palavras às 15:09

21
Dez 09

  

Desnudam-se os pés azáfamos
e são alas de fogo e de conforto
que os aquecem,
Numa cor doce de mel e desvelo,
Mesmo que a neve lá fora dilacere
as peugadas de quem carrega a fome
nas pernas de farrapos indolentes
que todos os dias sonham chegar
à porta de outro destino.
E outros tantas mãos cheias, rutilantes
de rodopios de risos e diáfanas farturas
Indiferentes ao rigor das vidas de todos dias
vão cegando a mágica simplicidade da partilha!
 Desejo um Natal introspectivo e um Novo Ano com muita determinação!
publicado por Utopia das Palavras às 18:16

06
Dez 09

                 

 

 

Risco a vida
E cada traço premente
É uma linha urgente
Não a pinto…
 
Não me iludo com as estrelas
embora belas
Musas do olhar efémero
Que me sulca o rosto
 
Desencantada a vida que não esperneia,
Caída do céu já colorida,
Sem riscos, sem sombras,
Sem lágrimas de um parto de amor
 
Cada risco tem uma cor
Do arco-íris roubada, suada
Depois de uma chuva agreste
Ou de uma paixão errada
(Imagem: Julio Pomar)

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:24

28
Nov 09

 

 
Uma colectânea de poesia onde participo em co-autoria, cuja apresentação vai ter lugar no próximo dia 5 de Dezembro às 16 horas na Biblioteca Municipal de Gondomar.
A apresentação do livro decorrerá no âmbito de uma tertúlia de poesia “Do amor e do Erotismo” organizada pela ARGO – Associação Artística de Gondomar, entidade promotora do IV Prémio Nacional de Arte Erótica em parceria com a Lugar da Palavra Editora.
 (capa e foto da autoria do designer Aurélio Mesquita).
Estão desde já convidados!

 

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:11

01
Nov 09

No mar me extinguirei
Anjo delta ou estrela ventura
Que do teu remo abraçarei
A descoberta mais pura
 
Nesse mar, sonho-me feliz
Marinheira da coragem desmedida
No adeus à terra que me quis
Choradas foram águas de despedida
 
Ai a saudade pressentida
Que já é dor no que me divide
De terra emano, deste mar que é trono
 
Pássaros do vento e do sol, ide
Matar-me a saudade carpida
Nos mares onde profusa me abandono
(imagem: Irene Pissarro)

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 19:33

17
Out 09

Porque falo dos rios, de amor e dos mares
Se são eles que me inundam?
 
Porque falo da verdade da terra e do vento
Se tudo isso me despe?
 
Porque falo de murmúrios e dos gritos silenciados
Se só o meu corpo é meu eco?
 
 Porque falo de saudade e da solidão aflita
Se antígonos são os meus braços?
 
Porque falo de espinhos, de chagas e das cinzas
Se o meu rasto vocifera a ferida aberta?
 
Porque falo de causas e dos sonhos
Se sós, são as minhas asas impotentes
Nas pedras que me tropeçam os passos
 
Falo…arguo a mudez dos olhos
Delatora me acuso e não calo
Erupta em fogo profícuo
Serei…
Onde todas as palavras me nascem!

(imagem: Luis Ralha)

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

03
Out 09

Breve crepúsculo de amor
Parda a noite…mia
Geme, teme, soluça a dor
Indolente, apazigua o dia
 
Na chuva que a noite derrama
Nega-se a morte ou sonho errante
Audazes estandartes em chama
Inócua do choro inquietante
 
Vagabunda perversa e vadia
Ai poetas perdidos de amores
Amante da noite é a poesia
Nas ruas nuas de pudores
 
Noite ditosa, palavra ardente
No fado e tertúlias embriagadas
Alarde de um verso pungente
Toando nas bocas ressacadas
 
Irrompe quebranto e destino
Noite que aquece a cama do mar
Adormece o vento ainda menino
Mima o rosto do sol por chegar
 
Na noite me invento donzela
Se um fidalgo me sonha,
E se um poema traz com ela
É do encanto…a noite risonha!
 
(imagem: anoitecer, Tinta Azul)
 
publicado por Utopia das Palavras às 21:48

19
Set 09

 

 

Tantas vezes

insana

Intensa da raiva e da paixão

Quantas vezes

profana

Do verbo  na perfeição

 

Da palavra…

seguramente amante

Acorrentada me presumo,

Tua…

sou tanto instante,

Imutável

nosso perpétuo rumo

 

Uivo selvagem

ou doce ternura,

Perdidamente tua…

Leoa mansa ou loucura!

 

(imagem: picasso)

publicado por Utopia das Palavras às 23:39

12
Set 09

O mar canta…
quando se entranha
nos olhos
de quem o ama
 
Chora…
com a maré
se o amor
de quem o sente
perdido um dia fora
 
Envaidece-me vê-lo coral
curtindo beijos de sal
que exalta...
vestindo a descoberta
 
O mar…namora-me!
 
 
(imagem: Augusto Lima)
publicado por Utopia das Palavras às 21:23

30
Ago 09

 
 
Escusa nostalgia
Se hiato não fosse o tempo
Que te faço
 
Genuínas reminiscências
do sabor do vinho
E da broa mondada
No milho
 
Melodia das gentes
Tingidas de sorrisos e sol
Partilhando suores
No vigor do trabalho
 
Ai a saudade
Quase morta
Pelos dedos que contam
Os dias de anseio
Do teu abraço
 
E esta vontade
De quase Outono
Quando o azul que o rio empresta
Faz-me lavada de esperança
Nesse extenso abraço
Enorme lugar de festa!
 
(Só o tempo de um abraço...regresso breve)

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:05

10
Ago 09

 

Sei da espera e do espinho
Do tempo de florir a quimera 
Das raízes paridas da terra
Sei do suor que lavra o caminho
 
Sei tanto do ardor dos olhos
Nas lágrimas que lambem incerteza
E dos rostos que estancam escolhos
Nas canas verdes de dureza
 
Labuta moída dos dias sem féria
E os sonhos sempre rasgados
Pelas mãos de outros sonhos roubados
Miséria…miséria
 
Mais um prego, mais uma semente de nada
E a labuta que não pára
Fere, vence como escára
Fadiga inútil, quão infecunda jornada
 
Grande a sede de olhar os lírios
Na sombra dilecta do anoitecer
Fosse vontade cegar delírios
Fazia gente, de tão pouco, renascer!
 
(imagem: domingos alves)
 
***************************************************
Grata a Alex Campos, pela gentileza do gesto e pela empenho na divulgação dos poetas angolanos!
Obrigada!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:49

03
Ago 09

 
Podias voar-me das mãos
Pena solta
Arrancada do meu peito
Pena tua mas meu chilreio
Que me enfeitiçou o olhar
 
Escárnio ou cegueira não te sentir
Quando flutuas no sangue
Veia incisa, inundada
Transbordante no meu corpo
 
Serás tu pena mensageira
Utopia de amor distante
Ou pena…só pena aventureira
Querendo o meu corpo como amante?
 
(imagem:rodrigo matos silva)
publicado por Utopia das Palavras às 21:46

25
Jul 09

Nasceu sorriso                                                                   
E voou de mim
Devaneou no luar de um lugar
Com adornos de escol e cetim
 
Atreveu-se o sorriso
Em trilho de pedras mágicas
Orvalhou um ninho de passarinho
Fez-se vento de mel
Estatelou-se de carinho
Nas fuças avaras e trágicas
 
Sorriu devagarinho, quase pranto
No salitre da tristeza
Sentindo nua a mesa
 
E quando a noite já sem razão
Vestia a fome de espanto
Sorriu de novo devagarinho
Nas bocas meninas, sem pão
 
Pudesse o sorriso mudar um rosto
Caiar todas as íris da cor Agosto
Tão singelamente podia
Ser feliz…
 
e porque...
o sol se enfeita de aurora
E soletra amor com o rio
Deixei meu sorriso agora
Correr como riacho vadio!
 
 
(imagem: fiat lux)

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:46

18
Jul 09

Entre o Sono e o Sonho, há um lugar...

que tem um pedaçinho de mim!

 

 

 

 

 

 

 

No dia 25 de Julho, às 19.30 h, no Café In (Av. Brasília, Pavilhão Nascente nº 311 em Lisboa, sessão de lançamento de "Entre o Sono e o Sonho" - Antologia de Poesia Comtemporânea, volume II

Uma obra do Portal de Lisboa  com edição da Chiado Editora.

Convido-te!

  

publicado por Utopia das Palavras às 21:07

11
Jul 09

 

Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio
Norte, que perde, insana e desvaria
meu celeste corpo delongando o dia

 

Espera-te a noite, eternamente lua

Na cama da estrela polar primeira
Universo serei de ti e terra nua
Ébria dos raios cadentes, tua luz feiticeira
 
Teimam meus pés no sol, as mãos no equador
Anulando a ínfima linha que nos separa
São as palavras, uma espécie de amor
No pólo do teu orgasmo que me amarra
 
Puderas ser tu eco ou astro que me influencia
Ou força gravitante que me desprende
Eu serei sempre a impostora poesia
Que no reflexo de ti o verso incende!
 
(imagem: "Universo" de Antonio Pinto Coelho)
 
"Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio"
são versos de Leal Maria do blog "Meu Eterno Poema"
embrião para o que se seguiu...!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:40

04
Jul 09

 

Adormeço
a noite
como se fosse
cansaço
como se ela
laborasse
no meu corpo
como operária
das letras
fundidas no aço!
Na noite...
sou mais um dia
que quero
gravado...na minha pele!
 
 
(imagem: Alda Caetano)

 

 

As minhas palavras são tímidas...

o brilho do meu olhar, enorme!

 

Grata (muito)

a Marta Vasil do blog "Lua Com Dona". 

 

 

O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA: “curva geométrica com forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas; Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

27
Jun 09

 

 

 

 
 
Quebra o molhe, não quebra o mar
As mãos quando se dão, são aço
Qual tempestade, onde o vento recusa dar
O beijo de bonança, que se faz passo
 
No passo a monte, o extenuo cansaço
De quem vai na solidão gemida
A lavoura do afecto junca o laço
Que prende o caule de cada flor colhida
 
Desinquietos olhos raiados
De sangue florindo alegria
Derramam miúdos bocados
Da lágrima escusa da nostalgia                                          
 
Quebra o molhe, não quebra o mar
Na agrura nasce a força muralha
No teu passo, tenho o meu para te dar
Essência una, que este meu lado talha!
 
(image: Paulo Themudo)
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:53

20
Jun 09

(Inês Gato)

Afligem-me as asas que murmuram
Em vez do voo
E os cheiros que perduram
No corpo onde o amor conspirou
 
Se calo, grito
A tua boca que não diz
Ai silencio maldito
Vociferado grito
Mata-me, ante ser infeliz
 
Não é acaso o canto mudo
Nem a poesia desconcertante
Sem pejo, serena me desnudo
Na espera desse uivo dilacerante
 
Porque não gritas o mar
No engenho das ondas
Inventa um naufragar
Bramindo realidade
Cede ao augúrio dos dias
Incita-te

Na minha espuma de liberdade!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:54

13
Jun 09

                                           (Joana Lopes)

 

 

Subleva-te verso perseguido
Despreza quem te escraviza na saudade
No fundo da tua palavra árida
São as estrofes, alento
Ungidas susurradamente
Nas rimas que te dão guarida
 
Tempo tão breve de poema
Longínquo tumulto do verso
Amansado na boca que teima
Em cuspi-lo de amor
Num beijo de fogo perverso
 
E a saudade nele, fora mulher
Debruçada no seu corpo
Verso completo mas sem trilho
Confundido nas carícias
Do poema que quer
Com ele fazer um filho
 
O poema se fez na noite certeza
E de todas as ausências
As quimeras foram a subtileza
Dos teus dedos rasgando versos!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:09

06
Jun 09

 

 

(georgia o`keeffe)

Procurei nos bilros dos caminhos
Onde a seara se faz estéril
E o suor se eterniza
Mais braços para os meus, sozinhos
 
Tacteei entre gemidos escolhos
A desventura
Do pão que não cresce
Pela água de tantos olhos
 
Celebrei um sorriso
Na pronuncia do amor
Na denuncia das estrepes e das feridas
Saradas por um pássaro do paraíso
 
Extenuei na sã procura
De mim,
De uma cor para o meu rosto
Negra, alva ou mesmo dura
 
Agitei a luta do arvoredo contra o vento
E no rastro da consciência
Me fiz bandeira desferida
Que te dei…!
publicado por Utopia das Palavras às 19:10

29
Mai 09

 

          
Sílabas entrelaçadas
 
letras enamoradas
 
e a pena...
 
a pena em frenesim
 
um não, um sim
 
e eu?
 
Eu tanto queria
 
que tudo isso
 
dentro de mim
 
fosse poesia!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:27

23
Mai 09

As palavras que me fazem
Dou-as ao vento e às madrugadas
Faço delas janelas e terras lavradas
Chão, mares e a minha doce aragem
 
Palavras que sagram na pele
Gravam seiva de aventura
Lençóis de linho maculados de ternura
Desmesuradas, ruidosas de fel
 
As palavras que não invento
São as palavras que quero
Ante as vezes do desespero
Mas fome do meu sustento
 
Doem-me as palavras jorradas
E as que finjo e minto
Errantes em labirinto
Em tantas folhas rasgadas
 
As palavras do meu canto
Aninham-se na liberdade
De cerzir amor na verdade
Com os dedos do meu pranto
 
(imagem: internet)
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 19:39

16
Mai 09

 

 

Digo da terra meu mondado manto
Acalentado no seio dela
Nas pedras maceradas de espanto
Trago nos pés
Um pedaço dela
 
Coram minhas mãos insolentes
Quando minto ao sol
Para a trazer no regaço
Nos dias em que um rio me faz
 
Sou de um mar
Que assoberba a campina de azul
E do rio que se afoita
Na folha de um poema desaguado
 
E da terra adubada de água bravia,
São as minhas entranhas
O musgo das palavras
 
 
(imagem: Elisabete d`Silva)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:48

"Balada da Liberdade" livro de Miguel Beirão, prefácio de minha autoria e capa de Dorabela Graça
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