15
Nov 09

 

Foste um poema talvez
Indelével traço de lume
Verso de uma só vez
Eclipse de lua e do perfume
 
Talvez só folha vazia
Se verso, um dia foras de verdade
Deslumbre no meu peito me perderia
Que de meu, apenas liberdade
 
Ímpeto de criação
Na pena que te desenhou
Quisera ela somente o teu amor
 
Mas, breve a alucinação
Que a minha alma inventou
Não foras verso, foras a ilusão da minha dor!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:28

01
Nov 09

No mar me extinguirei
Anjo delta ou estrela ventura
Que do teu remo abraçarei
A descoberta mais pura
 
Nesse mar, sonho-me feliz
Marinheira da coragem desmedida
No adeus à terra que me quis
Choradas foram águas de despedida
 
Ai a saudade pressentida
Que já é dor no que me divide
De terra emano, deste mar que é trono
 
Pássaros do vento e do sol, ide
Matar-me a saudade carpida
Nos mares onde profusa me abandono
(imagem: Irene Pissarro)

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 19:33

17
Out 09

Porque falo dos rios, de amor e dos mares
Se são eles que me inundam?
 
Porque falo da verdade da terra e do vento
Se tudo isso me despe?
 
Porque falo de murmúrios e dos gritos silenciados
Se só o meu corpo é meu eco?
 
 Porque falo de saudade e da solidão aflita
Se antígonos são os meus braços?
 
Porque falo de espinhos, de chagas e das cinzas
Se o meu rasto vocifera a ferida aberta?
 
Porque falo de causas e dos sonhos
Se sós, são as minhas asas impotentes
Nas pedras que me tropeçam os passos
 
Falo…arguo a mudez dos olhos
Delatora me acuso e não calo
Erupta em fogo profícuo
Serei…
Onde todas as palavras me nascem!

(imagem: Luis Ralha)

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

03
Out 09

Breve crepúsculo de amor
Parda a noite…mia
Geme, teme, soluça a dor
Indolente, apazigua o dia
 
Na chuva que a noite derrama
Nega-se a morte ou sonho errante
Audazes estandartes em chama
Inócua do choro inquietante
 
Vagabunda perversa e vadia
Ai poetas perdidos de amores
Amante da noite é a poesia
Nas ruas nuas de pudores
 
Noite ditosa, palavra ardente
No fado e tertúlias embriagadas
Alarde de um verso pungente
Toando nas bocas ressacadas
 
Irrompe quebranto e destino
Noite que aquece a cama do mar
Adormece o vento ainda menino
Mima o rosto do sol por chegar
 
Na noite me invento donzela
Se um fidalgo me sonha,
E se um poema traz com ela
É do encanto…a noite risonha!
 
(imagem: anoitecer, Tinta Azul)
 
publicado por Utopia das Palavras às 21:48

19
Set 09

 

 

Tantas vezes

insana

Intensa da raiva e da paixão

Quantas vezes

profana

Do verbo  na perfeição

 

Da palavra…

seguramente amante

Acorrentada me presumo,

Tua…

sou tanto instante,

Imutável

nosso perpétuo rumo

 

Uivo selvagem

ou doce ternura,

Perdidamente tua…

Leoa mansa ou loucura!

 

(imagem: picasso)

publicado por Utopia das Palavras às 23:39

12
Set 09

O mar canta…
quando se entranha
nos olhos
de quem o ama
 
Chora…
com a maré
se o amor
de quem o sente
perdido um dia fora
 
Envaidece-me vê-lo coral
curtindo beijos de sal
que exalta...
vestindo a descoberta
 
O mar…namora-me!
 
 
(imagem: Augusto Lima)
publicado por Utopia das Palavras às 21:23

30
Ago 09

 
 
Escusa nostalgia
Se hiato não fosse o tempo
Que te faço
 
Genuínas reminiscências
do sabor do vinho
E da broa mondada
No milho
 
Melodia das gentes
Tingidas de sorrisos e sol
Partilhando suores
No vigor do trabalho
 
Ai a saudade
Quase morta
Pelos dedos que contam
Os dias de anseio
Do teu abraço
 
E esta vontade
De quase Outono
Quando o azul que o rio empresta
Faz-me lavada de esperança
Nesse extenso abraço
Enorme lugar de festa!
 
(Só o tempo de um abraço...regresso breve)

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:05

10
Ago 09

 

Sei da espera e do espinho
Do tempo de florir a quimera 
Das raízes paridas da terra
Sei do suor que lavra o caminho
 
Sei tanto do ardor dos olhos
Nas lágrimas que lambem incerteza
E dos rostos que estancam escolhos
Nas canas verdes de dureza
 
Labuta moída dos dias sem féria
E os sonhos sempre rasgados
Pelas mãos de outros sonhos roubados
Miséria…miséria
 
Mais um prego, mais uma semente de nada
E a labuta que não pára
Fere, vence como escára
Fadiga inútil, quão infecunda jornada
 
Grande a sede de olhar os lírios
Na sombra dilecta do anoitecer
Fosse vontade cegar delírios
Fazia gente, de tão pouco, renascer!
 
(imagem: domingos alves)
 
***************************************************
Grata a Alex Campos, pela gentileza do gesto e pela empenho na divulgação dos poetas angolanos!
Obrigada!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:49

03
Ago 09

 
Podias voar-me das mãos
Pena solta
Arrancada do meu peito
Pena tua mas meu chilreio
Que me enfeitiçou o olhar
 
Escárnio ou cegueira não te sentir
Quando flutuas no sangue
Veia incisa, inundada
Transbordante no meu corpo
 
Serás tu pena mensageira
Utopia de amor distante
Ou pena…só pena aventureira
Querendo o meu corpo como amante?
 
(imagem:rodrigo matos silva)
publicado por Utopia das Palavras às 21:46

25
Jul 09

Nasceu sorriso                                                                   
E voou de mim
Devaneou no luar de um lugar
Com adornos de escol e cetim
 
Atreveu-se o sorriso
Em trilho de pedras mágicas
Orvalhou um ninho de passarinho
Fez-se vento de mel
Estatelou-se de carinho
Nas fuças avaras e trágicas
 
Sorriu devagarinho, quase pranto
No salitre da tristeza
Sentindo nua a mesa
 
E quando a noite já sem razão
Vestia a fome de espanto
Sorriu de novo devagarinho
Nas bocas meninas, sem pão
 
Pudesse o sorriso mudar um rosto
Caiar todas as íris da cor Agosto
Tão singelamente podia
Ser feliz…
 
e porque...
o sol se enfeita de aurora
E soletra amor com o rio
Deixei meu sorriso agora
Correr como riacho vadio!
 
 
(imagem: fiat lux)

 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:46

18
Jul 09

Entre o Sono e o Sonho, há um lugar...

que tem um pedaçinho de mim!

 

 

 

 

 

 

 

No dia 25 de Julho, às 19.30 h, no Café In (Av. Brasília, Pavilhão Nascente nº 311 em Lisboa, sessão de lançamento de "Entre o Sono e o Sonho" - Antologia de Poesia Comtemporânea, volume II

Uma obra do Portal de Lisboa  com edição da Chiado Editora.

Convido-te!

  

publicado por Utopia das Palavras às 21:07

11
Jul 09

 

Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio
Norte, que perde, insana e desvaria
meu celeste corpo delongando o dia

 

Espera-te a noite, eternamente lua

Na cama da estrela polar primeira
Universo serei de ti e terra nua
Ébria dos raios cadentes, tua luz feiticeira
 
Teimam meus pés no sol, as mãos no equador
Anulando a ínfima linha que nos separa
São as palavras, uma espécie de amor
No pólo do teu orgasmo que me amarra
 
Puderas ser tu eco ou astro que me influencia
Ou força gravitante que me desprende
Eu serei sempre a impostora poesia
Que no reflexo de ti o verso incende!
 
(imagem: "Universo" de Antonio Pinto Coelho)
 
"Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio"
são versos de Leal Maria do blog "Meu Eterno Poema"
embrião para o que se seguiu...!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:40

04
Jul 09

 

Adormeço
a noite
como se fosse
cansaço
como se ela
laborasse
no meu corpo
como operária
das letras
fundidas no aço!
Na noite...
sou mais um dia
que quero
gravado...na minha pele!
 
 
(imagem: Alda Caetano)

 

 

As minhas palavras são tímidas...

o brilho do meu olhar, enorme!

 

Grata (muito)

a Marta Vasil do blog "Lua Com Dona". 

 

 

O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA: “curva geométrica com forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas; Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:19

27
Jun 09

 

 

 

 
 
Quebra o molhe, não quebra o mar
As mãos quando se dão, são aço
Qual tempestade, onde o vento recusa dar
O beijo de bonança, que se faz passo
 
No passo a monte, o extenuo cansaço
De quem vai na solidão gemida
A lavoura do afecto junca o laço
Que prende o caule de cada flor colhida
 
Desinquietos olhos raiados
De sangue florindo alegria
Derramam miúdos bocados
Da lágrima escusa da nostalgia                                          
 
Quebra o molhe, não quebra o mar
Na agrura nasce a força muralha
No teu passo, tenho o meu para te dar
Essência una, que este meu lado talha!
 
(image: Paulo Themudo)
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:53

20
Jun 09

(Inês Gato)

Afligem-me as asas que murmuram
Em vez do voo
E os cheiros que perduram
No corpo onde o amor conspirou
 
Se calo, grito
A tua boca que não diz
Ai silencio maldito
Vociferado grito
Mata-me, ante ser infeliz
 
Não é acaso o canto mudo
Nem a poesia desconcertante
Sem pejo, serena me desnudo
Na espera desse uivo dilacerante
 
Porque não gritas o mar
No engenho das ondas
Inventa um naufragar
Bramindo realidade
Cede ao augúrio dos dias
Incita-te

Na minha espuma de liberdade!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:54

13
Jun 09

                                           (Joana Lopes)

 

 

Subleva-te verso perseguido
Despreza quem te escraviza na saudade
No fundo da tua palavra árida
São as estrofes, alento
Ungidas susurradamente
Nas rimas que te dão guarida
 
Tempo tão breve de poema
Longínquo tumulto do verso
Amansado na boca que teima
Em cuspi-lo de amor
Num beijo de fogo perverso
 
E a saudade nele, fora mulher
Debruçada no seu corpo
Verso completo mas sem trilho
Confundido nas carícias
Do poema que quer
Com ele fazer um filho
 
O poema se fez na noite certeza
E de todas as ausências
As quimeras foram a subtileza
Dos teus dedos rasgando versos!
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:09

06
Jun 09

 

 

(georgia o`keeffe)

Procurei nos bilros dos caminhos
Onde a seara se faz estéril
E o suor se eterniza
Mais braços para os meus, sozinhos
 
Tacteei entre gemidos escolhos
A desventura
Do pão que não cresce
Pela água de tantos olhos
 
Celebrei um sorriso
Na pronuncia do amor
Na denuncia das estrepes e das feridas
Saradas por um pássaro do paraíso
 
Extenuei na sã procura
De mim,
De uma cor para o meu rosto
Negra, alva ou mesmo dura
 
Agitei a luta do arvoredo contra o vento
E no rastro da consciência
Me fiz bandeira desferida
Que te dei…!
publicado por Utopia das Palavras às 19:10

29
Mai 09

 

          
Sílabas entrelaçadas
 
letras enamoradas
 
e a pena...
 
a pena em frenesim
 
um não, um sim
 
e eu?
 
Eu tanto queria
 
que tudo isso
 
dentro de mim
 
fosse poesia!

 

publicado por Utopia das Palavras às 22:27

23
Mai 09

As palavras que me fazem
Dou-as ao vento e às madrugadas
Faço delas janelas e terras lavradas
Chão, mares e a minha doce aragem
 
Palavras que sagram na pele
Gravam seiva de aventura
Lençóis de linho maculados de ternura
Desmesuradas, ruidosas de fel
 
As palavras que não invento
São as palavras que quero
Ante as vezes do desespero
Mas fome do meu sustento
 
Doem-me as palavras jorradas
E as que finjo e minto
Errantes em labirinto
Em tantas folhas rasgadas
 
As palavras do meu canto
Aninham-se na liberdade
De cerzir amor na verdade
Com os dedos do meu pranto
 
(imagem: internet)
 

 

publicado por Utopia das Palavras às 19:39

16
Mai 09

 

 

Digo da terra meu mondado manto
Acalentado no seio dela
Nas pedras maceradas de espanto
Trago nos pés
Um pedaço dela
 
Coram minhas mãos insolentes
Quando minto ao sol
Para a trazer no regaço
Nos dias em que um rio me faz
 
Sou de um mar
Que assoberba a campina de azul
E do rio que se afoita
Na folha de um poema desaguado
 
E da terra adubada de água bravia,
São as minhas entranhas
O musgo das palavras
 
 
(imagem: Elisabete d`Silva)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:48

09
Mai 09

 

 
 
Deixem-me amar o mar
Comer as algas, expurgar a lama
Deixem que o mar me ame
E me aclame sobrevivente
 
Deixem que a pele se queime
Na lonjura do sol e da saudade
Renascendo asa de coral
E o meu abrigo
 
Deixem que a boca cuspa
Lodos de preconceito
E que o meu leito
Seja terra espargida de causa
 
Deixem que as mãos naufraguem
No rosto de luz das marés
Abram de espuma as estrelas
E deixem chorar o mar
 
Deixem que nada ou as ondas
Se alastrem no meu peito
E que o meu corpo…
Seja sempre esse mar salgado!
 
(imagem:internet)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:55

02
Mai 09

                                                         

                                                                     

 
Pétalas volúpia que acetinam
O brilho que dos meus olhos sai
São luzeiros que me iluminam
Eterno, terno amor que não se esvai
 
Num corpo de tempos maduros
Sossegos de afectos carminam
Cúmplices de instantes tão puros
Pétalas volúpia que acetinam
 
Nácares de paz cristalinas
Conchas que o meu mar atrai
Deram-me de pequeninas
O brilho que dos meus olhos sai
 
No meu ventre se fizeram vida
As asas que a voar me ensinam
Jamais me sentirei perdida
São luzeiros que me iluminam
 
Nascentes de lágrima que seguro
No gérmen que da terra sai
Sementeiras onde me aventuro
Eterno, terno amor que não se esvai
 
 
(imagem: maternidade-pablo picasso)

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:40

26
Abr 09

 

 

Alvo extasio de ti
Que em mim ficaste
Quando o teu encanto deixaste
Nos versos que outrora li
 
Li-te no rosto, odisseias
Quando o teu peito rasgaste
Na rota dos pássaros riscaste
O lugar do canto das sereias
 
Nas tuas mãos de pena cingida
Gemidos da lua mostraste
E das entranhas tiraste
Retratos perenes de vida
 
Louco talvez, poeta!
Se nessa loucura voaste
Na palavra alucinada que inventaste
Reflecte a tua alma descoberta!

 

publicado por Utopia das Palavras às 21:42

23
Abr 09

 

Porque Abril
são os passos que me levaram
 
Porque Abril
ainda é mar por navegar
 
Porque Abril
é a razão das mãos gritadas
a razão das bocas alvoradas
 
Porque Abril
é tanto dos poetas
 
Abril será sempre...
a minha cor de Maio!
publicado por Utopia das Palavras às 10:16

18
Abr 09

 

 

Tantos caminhos no peito
Quantos molhos de esperança
Um trilho ousado e feito
Do galope da confiança
 
Há um fio de rio nessa almargem
Como poema parido nas águas
Pastorícia minha verde coragem
Num passo amante sem mágoas
 
Ainda os brados que não calo
Se caio ferida de pedra malvada
Ravinas de saudade, onde resvalo
Soltando o que em mim é espada
 
Descubro bolbos de amor escondidos
Nos sulcos do rosmaninho
Silêncios de rumos perdidos
Ímpetos de semear um caminho
 
Sábio o amor que a poesia escuta
Nas veias de um verso aberto
Onde constante lateja a luta
De sonhar o caminho certo!
 
Imagem: Antonio Matos Ferreira

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:37

11
Abr 09

 

 

Aquietei a madrugada
Que se dizia fria
Sentida da noite gelada
Na ânsia do novo dia
 
Afastei o pensamento
Tolhido pelo desamor
Colori o firmamento
Desbotado da sua cor
 
Aplaquei o pecado
Que queria ser capital
Gostei dele ao meu lado
Não me arrependo de tal
 
Amenizei a desventura
De um sonho aniquilado
Hoje o sonho perdura
Não tem medo de ser sonhado
 
Persisti com a firmeza
Da vida fazer melodia
No espanto da sua beleza
Faço a minha sinfonia...!
publicado por Utopia das Palavras às 20:02

04
Abr 09

 

Preciso no mundo, de outro olhar!
De contendas de flores e de amor
De sorrisos sinceros com vista para o mar
Preciso de concórdia, de ti e de cor
 
Sentir as folhas perenes caídas
Renascerem gotículas sentidas
Das lágrimas do sal da verdade
Florando vidas nos pés da liberdade
 
Preciso da força que inventa os braços
Míngua das angústias e cansaços
E no meu corpo rasgado de alento
Entregar-me em flama nas mãos do vento
 
Assim, a minha voz rouca de luta
Calar-se-á por permuta
De um crepúsculo luzidio
Que emproa o navegar dos meus olhos navio!
 
 
imagem: Salvador Dali

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:52

28
Mar 09

 (Chagall)

 
 
Pujante de desvelos me escora
Presente bem-querer e o aço
Refúgio do pânico quando aflora
Pilar das loucuras que eu faço
 
Alucinados os meus passos de dança
Livres em espelhos d´água
Rodopiam em pontas de lança
Fundeando no teu cais, sinto-me frágua
 
Impregnam-me os sussurros que gritas
Cúmplice poço de segredos
Fiapos do teu olhar basta em horas aflitas
Na placitude são mudos todos os medos
 
Robusta ponte no meu mar sonhador
Quão terno cavaleiro andante
Mil anos serás, eterno poema de amor
E eu sempre... teu pássaro viajante!

 

publicado por Utopia das Palavras às 18:18

21
Mar 09

 

Não sei quantos são
Mas sinto os seus passos
Talvez um milhão
Talvez mil abraços
 
E andorinhas? E punhos fechados?
São tantos, lactente emoção
De pátria amor, hinos entoados
Estrelas de pontas se ouvirão
 
Sois ardentes, vontades em riste
Olhos raiados a lume de mudança
De justo o lema persiste
Desenhando no céu confiança
 
São muitos
Não sei quantos são
Descerrarão os mitos
Talvez um milhão!
 
 
 
 
Este poema foi resultado do desafio do blog Amador do Verso amadordoverso.blogs.sapo.pt, que me convidou a escrever sobre “Confiança”

 

 

Grata! Manu, a tua gentileza não tem fim...!

publicado por Utopia das Palavras às 16:48

14
Mar 09

  

Incessante caminhada
Pisada árdua das pedras
Contido amor como enseada
Busca de doce em bagas azedas
 
Sempre indo, sempre chegando
Para além do fio do horizonte
Onde os lírios nascem sonhando
A água de sede da tua fonte
 
Mesmo que eu fique maré vazia
Seca de espuma ou ecos de nada
Crescerá o anelo e a fantasia
De ser onda do mar enamorada
 
E se um dia me perder
No ego austero do nevoeiro
Não por não te querer
Sim por me querer a mim…primeiro!
 
(foto: matisse)
publicado por Utopia das Palavras às 20:40

07
Mar 09

(pierre.ives trémois)

 

Debaixo da tua asa
o vento não me descobre
O teu beijo é a minha casa
Rainha sou, em ti águia nobre
 
Venham temporais e pecados
Amargos venenos de serpente
És antídoto reinventado
Nas veias correndo, serenamente
 
Escarpas ou desfiladeiros
Tingimo-los com o luar do mar
Nossos sonhos são pioneiros
Quando o sol os acordar
 
Mesmo que agreste o rochedo
Fira as penas do meu voar
Na tua asa o meu medo
Esmorece, ante o chegar
 
A minha sombra gémea
Das tuas íris de água rasas
Corpo varonil onde sou fêmea
Cumplicidades…são asas!
 
 
=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:=:==:=:=:=:=:=
CARINHOS: 
Obrigada Xana pelo teu carinho ratalhos-xana.blogspot.com
agradeço o prémio Dardos que nao sei porquê não o consigo colocar.
Grata também pelo Selo Mulher 2009, muito me honrou!
 
Agradeço à  Ana Martins, do blog Ave Sem Asas, avesemasas.blogspot.com o selo "Amigos Infonautas"!
Grata, amiga!
 
Amigo Emanuel do blog Amador do Verso manulomelino.blogs.sapo.pt, o meu obrigada pela nossa bonita amizade.
publicado por Utopia das Palavras às 20:31

28
Fev 09

 

(mari vilar) 

 
Empresta-me um sonho…simples de sonhar
De cor ausente de dor
Redentor do sorriso e do olhar
Sonho constância multicolor
 
Empresta-me um sonho…de outras madrugadas
Do canto chilreado da liberdade
Dos pequenos nadas
Do cheiro do pão da terra e da vontade
 
Empresta-me um sonho…de poema que desagua
Interlúdio de silêncios estancados
Sonhando versos nascidos na lua
Na boca dos poetas declamados
 
Empresta-me um sonho…flama de encantamento
Onde embale o âmbar da nostalgia
Deslumbre a memória do esquecimento
Para eu poder sonhar um dia
 
Empresta-me um sonho…que me faça correr p´ró mar
Flutuar na carícia de marés singelas
No tempo do vento poder velejar
Fazer um mundo, tocando só nas estrelas
 
Empresta-me um sonho… de amor felino
Rouba-o ao luar, como fruta proibida
Serei dele tocata, ele o meu mais belo hino
Para sonhar…o resto da minha vida!

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:59

21
Fev 09

 
 
 
Apego sou em ti inquietação viril
Lavrando teu colo onde esvoaço
Encostas inundadas de anil
Na paisagem de um rendido abraço
 
Vinha dos sentidos embriagada
Fragrância amante, carmina e cobre
Torrente que em meu fogo corre abastada
Vindima de vida e chama, que me descobre
 
Sirvo-me sobre cálice derramado
Inaudito esse desejo de te sentir
E no vinho rubro por mim inventado
Meus lábios deslizam ávidos de te despir
 
Nasço e renasço nessa colheita
Casto, intrínseco afecto que a sustenta
Doce e etéreo meu beijo que se deita
No teu corpo de uva suculenta.
:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::---:::
 
 Agradeço-te amigo Carlos Barros irretorquivelpsique.blogspot.com

 

 

 

 

 

 

 

Obrigada pelo carinho, Tossan  klictossan.blogspot.com

publicado por Utopia das Palavras às 18:49

14
Fev 09

van gogh

 

 
Quando o rio corre devagarinho
Namorando com a ternura
Percebo a tua voz baixinho
E leio nos seixos poemas de frescura
 
Doce corrente, tranquilo amor
De um rio amando o estio
Cântico de canavial em flor
Concórdia do rio, irmão do mar bravio
 
És mar de floresta eu margem de clareira
Porque te amo cheia, intensamente
Infligida a tua dor é no meu peito bala certeira
Lançada da mão humana inconsequente
 
São uivos de lobos os teus filhos
Vulcões, desertos, espuma de sol e mares
Cordilheiras são penas e teus pássaros andarilhos
Esmeralda dos ventos glaciares
 
Mater da cor azul e do verde
Tocar-te inteira é delírio que não dura
Tão demente Terra que te perde
Matando sem apelo... pérola natura!

 

publicado por Utopia das Palavras às 17:14

07
Fev 09

(sumie)

Esperei que com a brisa viesses
Mimar este chão que é nosso
Meu ninho, sem o teu barro emudece
Voar sem tuas asas não posso
 
Fez vento na noite esperança
Branda espera cansando a lua
Onde amanheceu a lembrança
De te esperar tão nua
 
Brisa errante do teu cheiro licor
Meloso meu queixume de ansiedade
E na janela colorida na tua cor
Triste, colei meu verso de saudade
 
Aragem níveo canto da quimera
Meus lençóis chorados entreteceu
E no meu ninho, grávida a Primavera
Estendeu seu manto no lugar que é teu
 
E agora
Nosso ninho de ramos vazio
Espera a tua brisa, noutra hora
Trazendo no bico, grãos de amor, roubados no rio
_______________________________________________________ 
 
 

 

Grata à Céci do blog "Inspiração" letrasepensamentos.blogspot.com/ pelo selo que recebi com todo o carinho. E com o mesmo carinho ofereço a todos os amigos que leêm  "Utopia das Palavras". É VOSSO

publicado por Utopia das Palavras às 19:35

31
Jan 09

                                                                 

 
 
Sei que vais e porque tanto teimas
Sei de um ferino passado que te rói
Sensato vulcão onde te queimas
Apaziguado na lava que te constrói
 
Não sintas o acre da escuridão
Que impávida, numa cegueira cruel
Engole a revolta mordendo solidão
Ignorando que do fel se faz mel
 
Esgares de corpos perdidos, mas tu não!
Das lascas e das puas da surdez
Far-se-ão bandeiras na tua renhida mão
E assim, acordarás os sonhos…talvez!
 
Vai! Vai sempre em passo absorto
Como se marcha de parada fosse
Leva-me! Leva outro e mais outro
A firmeza, de nós apoderou-se
 
Agora não és tu, és multidão
Avalanche de luta, massa desperta
Raiando no polir da razão
Fazendo de nós, âmago num sibilar de alerta!
 
publicado por Utopia das Palavras às 19:17

24
Jan 09

 

 (venus e adonis)

 

És Outono quando te grito

Olimpo no meu sideral encanto
Sou um Inverno aflito
Em Baco bebido de pranto
 
Em ti hiberno em cume de neve
Nas horas que me dou insolente
No templo da luxúria meu suor te escreve
Volúpia de aromas na seda ardente
 
Estendo em brocado no teu chão
Tapetes de pétalas de água e jasmim
Os teus lábios vivos, consentirão
Bálsamos arrojados de mim
 
Hoje elevo-te a um deus
Porque de ti deste, merecimento meu
Da dilecção mais bela que há em Zeus
Dou-te os raios de sol, de Apolo e os céus!
 
 
publicado por Utopia das Palavras às 17:29

17
Jan 09

(silkmom)

                                                                                                          

Traidora batalha sem norte

Desmesuradamente cega
Combate de vazias mãos de entrega
Ferindo longe, mas ferindo forte
 
Hoje quero paz
Deslizar os dedos nos fios
Dos teus cabelos esguios
E extinguir-me na calma que me dás
 
Hoje só quero tréguas
Mesmo sendo guerreira selvagem
Quero repousar da coragem
No imenso prado das éguas
 
Pressentir o medo de feroz luta
Faz cansar a força que se esvai
Lenta e lânguida a espada cai
Negando o sofrer da disputa
 
Que pare o ciclo dos dias na minha mente
Da guerra quero indignar-me
Chamar o mundo e chorar-me
Dar-me à paz incondicionalmente!

 

publicado por Utopia das Palavras às 20:13

10
Jan 09

 
Hoje quero ser tua, meu amor
Rodopiar até ao sonho e planar
Como as densas e belas asas de açor
Quero ser tua por dentro, sem ter lugar
 
 
Desvirginada deserta a lua
Em orbita de fogo que te trouxe
Rasgando a minha pele quero ser tua
Num bolero arrebatado e doce
 
 
Hoje quero ser tua, meu amor
Inventar um mundo, sei lá! Na praia morrer
Quero beber o soluço do teu sabor
Morrer outra vez …e viver
  
Na dança quero ser tua
Desfalecer depois…
Quero ficar vontade nua
De nós dois…!
 
 
(foto:Jose Bezerra)

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:53

03
Jan 09

(josé bezerra)

 
 
Agreste futuro tempo, matizado
Vão balançar de vento em solidões moído
Sulco nas pedras mirras, gravado
Fantasia dum trilho eternamente doído
 
Nós, ápices do pensamento
Desfeito nos troncos de ilusão
Em tempo que se faz aluimento
Improvável sonho de perfeição
 
E nesse sereno piado das aves
Qual espasmo da terra que treme
Premente erguer de enlaces e traves
E da vontade fazer destro leme
 
Tempo agreste com cheiro de flores
Laivos oásicos nos fios da poesia
Veias que pulsam sangue de adivinhas cores
Recrudescimento de antiga utopia!

 

publicado por Utopia das Palavras às 16:55

De Eduardo Aleixo
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